A tábua da salvação?

4 11 2010

Steve Jobs apresenta o iPad e bate de frente com Kindle e netbooks. Aparelho, que promete esquentar o mercado de filmes e livros digitais, aponta para o “fim da era PC”

“A última vez que houve tamanha excitação por causa de uma tábua (tablet, em inglês), ela tinha alguns mandamentos gravados nela”, escreveu com rara ironia e precisão o jornal norte-americano Wall Street Journal, em referência a imensa expectativa despertada por um, até então, não confirmado tablet (um minicomputador com tela sensível ao toque, sem mouse ou teclado) da Apple, no final do ano passado. Um detalhe: como de costume ninguém na empresa, que tem diversos produtos na coleção de design do Museu de Arte Moderna de Nova York, confirmava a existência do aparelho.

Nada disso parecia importar, o histórico de inovações da Apple somados ao culto em torno da sua marca e a sua impressionante ressurreição na última década eram mais do que satisfatórios para justificar o burburinho. Assim, apenas alguns rumores e mais tarde a confirmação de que a Apple faria um anúncio em janeiro deste ano foram suficientes para que as ações da companhia batessem sucessíveis recordes na bolsa eletrônica Nasdaq. Nada de muito diferente por aqui também, nos últimos anos o lendário fundador da Apple, Steve Jobs, vem lapidando quase que a perfeição a estratégia de lançamento dos seus novos produtos. O absoluto silêncio é sua maior arma. David Yoffie, um professor de Harvard, estimou que nos meses entre o anúncio e a venda do primeiro iPhone em 2007, a Apple tenha conseguido mais de US$ 400 milhões em propaganda gratuita, apenas se mantendo completamente calada, alimentando o frenesi da mídia mundial. Algo bastante parecido – e em um escala talvez ainda maior – foi se desenhando nos últimos meses em torno de um tablet da Apple. Mas uma pergunta ao menos continuava sem resposta: tamanha expectativa conseguiria ser saciada?

Finalmente, na tarde da última quarta-feira, 27 (de janeiro), Jobs subiu ao palco, em São Francisco, ainda magro em decorrência do tratamento de um câncer, para o tão esperado anúncio. Ele vestia seu tradicional uniforme (camiseta gola alta e manga cumprida preta, além de uma surrada calça jeans e um tênis New Balance cinza). Como também lhe é característico, Jobs não poupou adjetivos e elogios ao novo gadget, o iPad, que chega as lojas em 60 dias nos Estados Unidos e outros países. Para o Brasil, não há previsão. Sua primeira frase no evento não deixava dúvidas de que ele queria – mas será que conseguiria? – fazer história novamente: “queremos começar 2010 apresentando um produto verdadeiramente mágico e revolucionário”. Emissoras de televisão nos EUA chegaram a interromper a sua programação normal para mostrar o novo aparelho. Sem fazer muito suspense, algo que não lhe é usual, Jobs perguntou: “Todo mundo usa um smartphone ou um laptop hoje em dia, há espaço para uma terceira categoria de aparelhos entre um e o outro?”

Jobs e toda a indústria de eletrônicos sabem a resposta a essa pergunta desde outubro de 2007, quando a taiwanesa Asus lançou o primeiro netbook, um minilaptop que não servia para fazer quase nada longe da web. Ignorado pela imprensa especializada, o aparelho foi um gigantesco sucesso, copiado por todas as fabricantes, mas solenemente esnobado pela Apple.“Os teclados são apertados, o software é terrível e o hardware podre. Jamais colocaria a nossa marca nisso”, disse, em março do ano passado, Tim Cook, diretor operacional da Apple e na época ocupando interinamente a presidência no lugar de Jobs. Os netbooks, no entanto, tornaram-se um fenômeno de vendas e, entre o pioneiro EeePC e os últimos lançamentos, passaram por mudanças tão profundas que é difícil perceber o que os diferem dos seus irmãos mais velhos, os notebooks.

Hoje, os netbooks atendem com precisão a quem deseja um equipamento mais prático e portátil do que um notebook ou espera mais conforto e facilidade de navegação do que oferece um smartphone. O muito bem-sucedido netbook, no entanto, é um dispositivo voltado principalmente para o trabalho e não para a diversão. Eis o nicho que Jobs torce para ser amplo e com o qual sonha atender com o iPad. “Vejo muito potencial neste produto e não tenho dúvida de que inúmeros concorrentes irão ser lançados antes do final deste ano”, disse à Dinheiro Rob Enderle, presidente da consultoria norte-americana Enderle Group.

Entre as críticas que o aparelho recebeu, as mais freqüentes eram referentes à ausência de uma câmera e de capacidade multitarefa. O iPad apesar das suas limitações, aposta em múltiplas funções para atrair o público. Em setembro do ano passado, ao ser questionado sobre o leitor de livros eletrônicos da Amazon, o Kindle, pelo The New York Times, Jobs disse: “tenho certeza de que sempre haverá dispositivos dedicados (com apenas uma função), e eles podem ter algumas vantagens em fazer apenas uma coisa. Acredito, no entanto, que aparelhos com múltiplas funções vão ganhar o dia, porque as pessoas não vão querer pagar por aparelhos que só servem para fazer uma coisa”.

E é exatamente isso que o iPad é. Ele pode não ser “o” melhor em algumas coisas, como leitura de livros, por exemplo, mas permite ainda navegar na internet, enviar emails, ver filmes, seriados, e ouvir músicas, organizar fotos, jogar games. Embora não faça ligações telefônicas, o Skype é compatível. Enfim, assim como o iPhone e o iPod touch suas grandes inspirações, o iPad é um marco da convergência, que editoras de livros, revistas e jornais, além de estúdios de cinema e emissoras de televisão, esperam possa esquentar a distribuição digital de seu conteúdo (filmes, livros, etc.), assim como o iPod o fez com a música.

E mais: ao contrário de qualquer concorrente que possa surgir, o iPad já nasce com 140 mil aplicativos, desenvolvidos originalmente para os seus irmãos mais velhos, disponíveis. Assim como os netbooks e smartphones, o tablet da Apple traz em sua gênese os principais conceitos da vanguarda de hábitos digitais, como o nomadismo e a computação em nuvem. Enquanto um notebook ou um desktop tradicional são principalmente usados para rodar programas que estão instalados no computador, o tablet aposta na internet e aplicativos leves que não raro são voltados para o uso da web.

O jornalista norte-americano Nicholas Carr vai mais além. Para ele, “o lançamento do tablet marca o fim da era PC”. Carr é autor do livro A Grande Mudança (Editora Landscape), em que defende que a computação em nuvem está mudando a sociedade de forma tão profunda quanto a energia elétrica nos últimos cem anos. Excessos à parte, Carr argumenta que os velhos PCs se tornaram dinossauros, máquinas muito complicadas para as necessidades básicas das pessoas hoje em dia. Enfim, a expectativa em torno do tablet pode parecer exagerada agora (a queda nas ações da Apple, registradas no dia posterior ao anúncio do aparelho, são o mais claro sinal de que as expectativas geradas eram difíceis, senão impossíveis, de serem alcançadas), mas é nas inúmeras possibilidades que o iPad trás consigo e ainda não podem ser plenamente compreendidas hoje que está o seu eventual potencial revolucionário. “O iPad quer ser o aparelho matador para a era da nuvem, uma máquina que vai definir essa nova era da computação como o Windows definiu a era anterior (a do computador pessoal)”, escreveu Carr, em um artigo publicado na New Republic.

Se a profecia irá se concretizar é cedo para dizer. Por enquanto, como descreveu Steve Jobs, o iPad é apenas “muito mais íntimo do que um notebook, muito mais eficiente que um smartphone e tem uma tela linda”.

Leia também
O paradoxo da Apple

Texto complementar  a matéria publicada por@brunogalo@rmanzoni na revista ISTOÉ Dinheiro em 5 de fevereiro de 2010

Crédito das fotos: turboalieno e jesusbelzunce

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Todos os caminhos levam à nuvem

27 08 2010

Filmes, livros e músicas disponíveis na hora, no lugar e no aparelho em que você quiser

Hoje, basta um computador com acesso à internet para obter (em muitos casos, de maneira ilegal) praticamente qualquer filme, livro ou música que você quiser. Logo, estes produtos culturais estarão – e em muitos casos já estão – a apenas um clique de distância, sem a necessidade de baixar nada e disponível na hora, no lugar e no gadget com acesso a web que você preferir. E, o melhor, de forma legal e, não raro, gratuita.

Cortesia da nuvem. Mas afinal o que é a nuvem? O mundo da computação pré-internet foi construído sobre a lógica de que tudo devia estar instalado ou armazenado na máquina de cada pessoa. A nuvem rompe com esse conceito. Cada vez mais, tudo que queremos ou precisamos pode ser acessado diretamente pelo navegador de internet. A maior oferta e acesso à banda larga, inclusive móvel, é essencial para o sucesso dessa visão.

“A cultura já está online. Qualquer mídia pode ser digitalizada com vantagens econômicas para a indústria. O que estamos começando a ver agora, é a internet se tornando o principal suporte para termos acesso a cultura e entretenimento”, observa o estudioso norte-americano Nicholas Carr, autor de A Grande Mudança (Editora Landscape), em que defende que a computação em nuvem está mudando a sociedade de forma tão profunda quanto à energia elétrica nos últimos cem anos.

Antes, no entanto, é preciso entender a evolução que permitiu chegarmos aqui. O culto despertado pelo iPod consagrou, na música, o dispositivo pelo qual se acessa o conteúdo, tornando possível hoje, entre outros motivos, a ascensão da música na nuvem. Se desde a virada do século ninguém dava mais muita bola para o desgastado CD, todos queriam ter o seu tocador de MP3, de preferência o iPod. Por sua vez, o sucesso do aparelho, no seu conceito original, só foi possível porque antes a prática de copiar CDs e compartilhar música na rede, simbolizada pela explosão do Napster, havia se disseminado.

O público estava, portanto, sedento por um dispositivo bacana em que pudesse colocar as suas músicas e levá-las consigo para onde quiser. O iPod, por sua vez, tirou vantagem também, do surgimento mais de vinte anos antes do Walkman que levou a música para ser trilha sonora inseparável de milhões – hoje, bilhões – de pessoas em todo o mundo. Na verdade, o que se viu durante toda a história da música como produto – iniciada com o fonógrafo – pode ser resumida como uma busca por ser cada vez mais acessível e disseminada.

Voltando no tempo, depois do fonógrafo levar a música para além das apresentações ao vivo, o rádio espalhou-a por novos ambientes e momentos do dia a dia das pessoas. Além disso, foi ele que introduziu o acesso gratuito as canções. Enquanto, a música transcendeu a barreira do suporte há muito tempo, os livros apenas agora começam a se libertar do papel. Por sua vez, os filmes estão no meio do caminho entre uma coisa e outra. Eis a explicação do motivo da oferta de conteúdo musical por streaming, ou seja, na nuvem, ser tão mais variada.

Os efeitos dessa mudança já podem ser observados como de costume entre a fatia do público mais ávida por música. Tanto nos Estados Unidos, como no Reino Unidos, duas diferentes pesquisas chegaram a mesma conclusão. O consumo de música em sites de streaming aumenta, principalmente entre os mais jovens, ao mesmo tempo, que o uso regular de sites de compartilhamento de músicas cai.

Uma outra clara evidência de que a nuvem veio mesmo para ficar está nos estúdios de cinema. Apesar de viveram as turras com serviços de streaming de filmes, como o Netflix, todos os grandes estúdios de cinema trabalham em serviços baseados na nuvem. A Disney (da qual Steve Jobs, o lendário fundador e CEO da Apple, é o maior acionista individual), por exemplo, desenvolve o Keychest, tecnologia que permitira ao público pagar um preço único pelo acesso permanente a um filme em diferentes plataformas ou aparelhos com acesso a internet, como computador, vídeo game, celulares, etc. Na literatura, as coisas ainda engatinham em menor velocidade.

“Spotify, Hulu, Google Books, etc. são todos bons exemplos, mas nenhum deles é completo o suficiente. Alguém (adivinhe quem?) precisa se dedicar e juntar tudo isso sob um grande guarda-chuva, com uma única interface e um único lugar em que as pessoas possam administrar todo o seu conteúdo, sejam livros, filmes, músicas, etc. Atualmente  isto é tudo muito fragmentado e essas empresas estão trabalhando em produtos isolados”, afirmou ao Link Steve Jobs, dono da Apple. Quer dizer, o Fake Steve Jobs, personagem criado pelo jornalista norte-americano especializado em mídia e tecnologia Dan Lyons.

É, ele também parece saber muito bem o que diz. Não por acaso, durante um bom tempo houve quem achasse até no Vale do Silício que o Fake (falso, em inglês) era uma brincadeira do original. E o verdadeiro Jobs, o que será que está tramando? Uma pista foi dada no final de semana passado quando a Apple revelou a compra do serviço de streaming de música Lala. Não dúvide: todos os caminhos levam à nuvem.

MÍDIA FÍSICA
Sempre haverá mercado para a mídia física, nem que seja para colecionar. Prova disso é o revival do vinil nos últimos anos. Ainda há muita gente que prefere o suporte físico a uma cópia digital. E não será o streaming e a nuvem a pôr fim nisso. Ao menos, não por enquanto.

DOWNLOAD
Apesar da facilidade do streaming, nada leva a crer que o download acabará de uma hora pra outra. Até porque quase tudo que está na nuvem por ser baixado. E o download, de alguma forma, da às pessoas a sensação de “posse” sobre o produto.

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Todos os caminhos levam à nuvem

Porque a indústria prefere o streaming ao download

Ter ou não ter? Eis a questão que o digital propõe

Leia original aqui ou aqui.

Matéria publicada no caderno Link do Estadão de 6 de dezembro de 2009 feita a quatro mãos por: @brunogalo e @rafael_cabral





O que ele quer é questionar

4 06 2010

O Google está nos tornando estúpidos? Esta é só uma das provocações deste pensador da era digital que nem Twitter usa

Nicholas Carr, de 50 anos, é um provocador. Um iconoclasta, para a revista inglesa The Economist. Articulado, convincente, preciso nos argumentos e competente na forma. Não raro é cético, por vezes brilhante, frequentemente polêmico. Enfim, um provocador lúcido e cativante. Duvida?

TI não importa e O Google está nos tornando estúpidos? são os mais famosos artigos deste jornalista americano. Ambos, cada um a seu tempo, foram assunto obrigatório da imprensa mundial e, é claro, de todos que se interessam por tecnologia e pelas mudanças provocadas por ela. Cinco anos separam os dois textos.

O primeiro, de 2003, foi publicado na Harvard Business Review (em que Carr era editor) e deu origem a um livro no ano seguinte, que só agora chega ao Brasil. Será que TI é Tudo? (Editora Gente) levou executivos de todo o mundo a discutir a real importância dos computadores e da tecnologia da informação (TI) nos negócios.

O segundo, publicado na tradicional Atlantic Monthly, também vai virar livro. O aguardado The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains (‘Os Superficiais: O que a internet está fazendo com os nossos cérebros’, em inglês), a ser lançado no ano que vem. “Não penso mais do jeito que costumava pensar”, escreveu, no artigo.

Para Carr, a internet e o Google, em especial, estão remodelando o nosso cérebro de forma a torná-lo mais eficiente em buscar informação. Ao mesmo tempo, contudo, estamos perdendo a habilidade de contemplação, reflexão, concentração. Uma perda ruim para cada um de nós e para todos nós, como sociedade, segundo ele.

“A informação não é um fim em si. O sentido, o significado que damos a ela é que realmente importa”, disse Carr ao Link, em entrevista, por telefone, na semana passada, antes de aterrissar em São Paulo para uma palestra, nesta terça-feira (1) no evento empresarial Expomanagement 2009, da HSM.

“Os meios de comunicação que usamos ao longo do tempo nos tornaram o que somos hoje. Os livros, por exemplo, nos obrigam a nos concentrar”, observa Carr. Para ele, o Google sacrifica tudo isso ao nos oferecer uma abundância de informações, relevantes ou não, com a qual temos dificuldade de lidar.

Com a internet se tornando nosso principal meio de comunicação, Carr defende que precisamos pensar nas consequências dessa mudança, o que perdemos e sacrificamos neste processo. Não por acaso, ele é um dos raros pensadores da era digital que não está no queridinho do momento, o Twitter. “Ainda que ele faça sucesso com tantas pessoas. Não estou certo do quão útil ele me pode ser”, disse Carr que, no entanto, mantêm há anos um concorrido blog, o Rough Type. Não pense, portanto, que Carr seja uma espécie de neoludita, longe disso.

“A internet traz uma série de benefícios reais que não devem ser desprezados”, apressa-se em afirmar. Questionado sobre o próximo grande avanço que veremos na área tecnológica, ele apontou a integração cada vez maior da rede com todo tipo de produtos e serviços. Nada mais natural. Afinal, no ano passado, ele lançou o livro A Grande Mudança (Editora Landscape), em que defendia que a computação em nuvem está mudando a sociedade e a cultura de forma tão profunda como a energia elétrica o fez nos últimos cem anos. “A computação está virando um serviço, e as equações econômicas que determinam a maneira como vivemos e trabalhamos estão sendo reescritas”, escreveu.

Foi durante a pesquisa para este livro que Carr se interessou em estudar mais profundamente as implicações sociais e culturais que a internet poderia ter em cada um de nós com o passar do tempo. Um dos capítulos mais interessantes – e também divertidos – de A Grande Mudança é o que trata dos profetas da energia elétrica, que faziam toda sorte de previsões mirabolantes.

Ah, sim, Carr não se considera um provocador. “Sou apenas uma pessoa que não foi completamente seduzida pelas novas tecnologias”, defende-se.

DESCRENTE

Pare um pouco e pense. Para que afinal foi criada boa parte das tecnologias em qualquer tempo? Da primeira ferramenta à roda, do carro ao e-mail, do computador pessoal ao celular, todos foram criados para trazer, de um jeito ou de outro, mais conforto e facilidade para o dia a dia. Os seus efeitos a longo prazo, no entanto, costumam fugir das previsões mais otimistas. O e-mail nasceu para substituir as cartas, seria muito mais prático e rápido. E de fato é. Hoje, no entanto, muitas pessoas não conseguem desgrudar das suas caixas de entrada de mensagem, estejam elas de folga ou até de férias.

Enfim, os efeitos colaterais, de certa forma são bastante visíveis hoje e estão desassociados dos positivos. Primeiro nas empresas, depois na sociedade e, enfim, na mente de cada um de nós. Nicholas Carr decidiu mostrar que “já tem gente demais fascinada pelas novas tecnologias”. Em 2003, quando escreveu TI não Importa, para a Harvard Businnes Review, a Newsweek o chamou de “o inimigo público N°1 da tecnologia no mundo”. Um exagero. Carr é apenas um cético pensador da era digital em dúvida entre suas vantagens e desvantagens.

Em Será que TI é Tudo? (editora Gente), Carr afirma que “como ocorreu com muitas outras tecnologias largamente adotadas, como ferrovias ou energia elétrica, a tecnologia da informação se transformou em commodity. Com seus preços acessíveis a cada um, essa tecnologia não tem mais valor estratégico a qualquer empresa ou usuário”.

Depois, em A Grande Mudança (editora Landscape), ele fazia um paralelo entre a ascensão da energia elétrica barata, que provocou uma reação em cadeia de transformações econômicas e sociais que gerou o mundo moderno, e da computação em nuvem, que, segundo ele, vai mudar a sociedade de forma igualmente profunda. No livro, ele tenta ponderar sobre os seus possíveis benefícios e efeitos colaterais também.

Enfim, em The Shallows (ainda inédito), ele expande seu artigo O Google está nos tornando estúpidos para, segundo ele, explicar como a internet redistribui os nossos caminhos neurais, substituindo a mente sutil do leitor do livro pela mente do observador distraído das telas. Para isso, ele promete misturar ideias da filosofia, da neurociência e da história.

Leia também aqui ou aqui.

Perfil publicado por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 30 de novembro de 2009.