Ter ou não ter? Eis a questão que o digital propõe

30 08 2010

“Você pagaria por algo que não vai ser seu?” é uma das questões mais levantadas pelos críticos da nuvem. Afinal, se os arquivos digitais ainda são mal vistos por aqueles que gostam da mídia física, como os puristas do vinil, muita gente também tem um pé atrás com o streaming e com o arquivamento online.

Ao transformar a cultura em serviço, a nuvem tiraria das pessoas a posse de livros, filmes e músicas — uma situação inédita para os consumidores. Mas não é exatamente isso que acontece quando compramos um ingresso de cinema, alugamos um filme na locadora, pagamos a mensalidade da TV a cabo ou sintonizamos o rádio?
“Eu ficaria triste se a mídia parasse de ser produzida em formatos que eu possa colecionar, como o do DVD, mas acredito que as pessoas não vão ter problemas em aceitar serviços que oferecem bibliotecas gigantes de cultura, às quais elas terão acesso irrestrito. Eu pago todo mês um pacote de canais de TV, por exemplo”, exemplifica o pesquisador norte-americano Henry Jenkins.

Já o estudioso da cultura na nuvem Patrik Wikström acha normal que as pessoas fiquem ressabiadas com a mudança. “Nos acostumamos a pensar que somos donos das mídias que consumimos. Como o computador permite que a gente guarde dados de uma maneira semelhante como fazemos com coleções de CDs ou DVDs, essa lógica foi importada para o download. A princípio, isso foi mais fácil de entender tanto pela indústria quanto pelos consumidores”, afirma.

É necessário um bocado de tempo para mudar o comportamento das pessoas e, ainda mais, o do mercado. Serviços que guardam músicas na internet existem pelo menos desde 2002, quando surgiu a Last.fm. Em um primeiro momento, no entanto, a indústria tentou lutar contra a facilidade que sites assim ofereciam. Até então gratuitos, Last.fm e a rádio online Pandora acabaram sofrendo com a pressão das grandes gravadoras e tiveram que começar a cobrar por conteúdo, perdendo grande parte da sua até então fiel base de ouvintes e quase toda sua relevância.

Para Wikström, as pessoas só aceitarão voltar a usar ferramentas de arquivamento online quando estas garantirem que elas terão “acesso irrestrito ao conteúdo, com baixo custo, a qualquer hora”, como se aqueles bens espalhados na nuvem de fato pertencessem a elas. “Acredito que as coisas estão mudando agora que a indústria percebeu que o modelo do iTunes não é o ideal para combater a pirataria e lucrar com a música digital. Já existem serviços na nuvem, como o próprio Grooveshark, que são bons tanto para o mercado quanto para os clientes”, finaliza.

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Leia original aqui ou aqui.

Matéria publicada no caderno Link do Estadão de 6 de dezembro de 2009 feita a quatro mãos por: @brunogalo e @rafael_cabral

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Porque a indústria prefere o streaming ao download

30 08 2010

O mercado de cultura na era digital, pós-Napster, vive hoje sua primeira grande transição. Quando viu seu principal negócio – a venda de CDs – ir por água abaixo por causa da cultura do compartilhamento, a indústria musical a recriminou e, só mais tarde, tentou se adaptar: apostou na trava anticópias (DRM) para barrar a pirataria e, com o modelo de vendas avulsas do iTunes, achou que finalmente lucraria com a internet. Não deu certo.

Se a loja de músicas da Apple até teve seus trunfos (sentidos mais nas vendas de iPods do que no balanço das gravadoras), 95% dos downloads de músicas continuam piratas. Ao completar 10 anos, o mercado parece finalmente ter amadurecido e, aos poucos, renasce. Em vez da venda de arquivos, uma adaptação canhestra da lógica da venda de mídias físicas, a aposta agora é na nuvem – em que filmes, livros e músicas cada vez mais deixam de ser encarados como produtos tradicionais, para ser vistos como serviços.

“É uma mudança de pensamento. Se muitos dos sites de streaming de hoje tendem a morrer, outros (Hulu e Spotify, por exemplo) buscam acordos e terão um futuro brilhante pela frente”, aposta o escritor Patrik Wikström, autor do livro “Music In The Clouds” (´A Música Nas Nuvens´, que será lançado em 2010 nos EUA).

Um dos grandes sinais de que a indústria vê futuro nessa migração para a nuvem está no acordo que a EMI assinou com o até então ilegal Grooveshark, que permite que as pessoas disponibilizem e ouçam todas as músicas que quiserem em streaming. Em vez de processar seus donos, a multinacional decidiu se aliar a eles.

O intuito dos empresários, segundo críticos como o ativista da cultura livre Cory Doctorow, é restituir o controle que tinham antes que a distribuição de bens culturais fosse tomada de assalto por consumidores conectados. “Cobrando por algo que você consegue de graça, investidores sonham em voltar ao lucrativo monopólio que detinham antes de ele ser aniquilado pela hiper-competição da web”, escreveu Doctorow, em artigo publicado no jornal inglês “The Guardian”.

A questão é: e se esse controle for vantajoso para os usuários? A locadora Netflix cobra US$ 9 de seus clientes e deixa que eles assistam a quantos filmes aguentarem na web. Já o Grooveshark, com acervo de mais de 6 milhões de músicas, é gratuito, custeado por publicidade e por aqueles que pagam por um serviço mais completo.

“Acredito que o modelo legal do Spotify vai ser o mais bem sucedido de todos os já tentados. Ele oferece opções de navegação aos usuários, além de ser rápido e fácil”, opina o jornalista Greg Kot, que no livro “Ripped: How the Wired Generation Revolutionized Music (Ripped: Como a Geração Conectada Revolucionou a Música”) trata das mudanças comportamentais que a distribuição P2P causou.

Mas, para Kot, o streaming só vingará se oferecer mais vantagens do que os downloads ilegais. Ou seja: deve ser mais completo e acessível que os sites de torrent, cobrando nada ou tão pouco quanto. “As pessoas só migrarão se os sites assegurarem que eles terão acesso àquele conteúdo quando quiserem, como quiserem”. Ou seja, o mercado terá que continuar em constante adaptação ao gosto dos usuários. Mesmo se decidirem naufragar os piratas e devolver parte do poder às gravadoras, os clientes continuam sempre com a razão.

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Depois da música, é a vez dos filmes e livros

30 08 2010

Até pouco tempo atrás, YouTube e Vimeo eram praticamente as únicas boas opções de conteúdo audiovisual na nuvem. No entanto, de um tempo para cá, o mercado norte-americano vem apostando na distribuição online de filmes, séries e programas de televisão.

Uma coalizão de estúdios (NBC, Fox, ABC e outros) criou o Hulu, que oferece gratuitamente toda a programação desse canais. Já a Netflix, a maior locadora dos Estados Unidos, lançou um bem-sucedido pacote ilimitado de filmes por streaming a US$ 9 – já adotado por 20% de seus clientes. Ambas as iniciativas trabalham em aplicativos para iPhone e iPod Touch, entre outros dispositivos móveis, e devem influenciar na transição dos aparelhos para a era da computação em nuvem.

Aqui no Brasil, não há nenhum serviço da dimensão dos citados, mas já dá para assistir a parte da programação da Fox no Mundo Fox e a uma boa quantidade de filmes e seriados pelo Terra TV. A locadora Netmovies também inaugurou o seu aluguel de filmes na web, mas o catálogo ainda é bem fraco.

Já o mercado de livros digitais, até então quase inexplorado e pouco atrativo para os leitores, foi aquecido pelo lançamento de dispositivos específicos para a leitura, como o Kindle, e deve ser bastante expandido como ambicioso projeto de digitalização do Google, o Google Books.

Filmes
Alguns serviços de download e streaming de filmes começam a surgir, ainda de forma modesta. Serviços de download têm dificuldade para decolar devido ao alto preço, ao espaço limitado de disco rígido do usuário para armazenar grandes arquivos e a dificuldade em se assistir aquele filme comprado ou alugado em diferentes dispositivos eletrônicos. Já o streaming, apesar de agradar aos usuários pela facilidade e comodidade, ainda é visto com desconfiança pelos estúdios, que não liberam os lançamentos para serem vistos nesse formato. Eles trabalham em uma solução intermediária.

Livros
É o mais atrasado entre os três. Apenas recentemente, com o surgimento do leitor de livros eletrônicos Kindle, da Amazon, e alguns outros e-readers, começou a fazer algum sentido pensar que, um dia, o livro de papel não será o principal suporte para a literatura. Ainda assim, o Kindle tem muito a evoluir, como, por exemplo, permitir o acesso à internet. Enquanto esse dia não chega, ou quem sabe o tablet da Apple venha a suprir essa oportunidade, a bibliteca da nuvem se restringe a pequenas amostras oferecidas por praticamente todas as editoras, além dos já tradicionais Scribd e Google Books.

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Todos os caminhos levam à nuvem

27 08 2010

Filmes, livros e músicas disponíveis na hora, no lugar e no aparelho em que você quiser

Hoje, basta um computador com acesso à internet para obter (em muitos casos, de maneira ilegal) praticamente qualquer filme, livro ou música que você quiser. Logo, estes produtos culturais estarão – e em muitos casos já estão – a apenas um clique de distância, sem a necessidade de baixar nada e disponível na hora, no lugar e no gadget com acesso a web que você preferir. E, o melhor, de forma legal e, não raro, gratuita.

Cortesia da nuvem. Mas afinal o que é a nuvem? O mundo da computação pré-internet foi construído sobre a lógica de que tudo devia estar instalado ou armazenado na máquina de cada pessoa. A nuvem rompe com esse conceito. Cada vez mais, tudo que queremos ou precisamos pode ser acessado diretamente pelo navegador de internet. A maior oferta e acesso à banda larga, inclusive móvel, é essencial para o sucesso dessa visão.

“A cultura já está online. Qualquer mídia pode ser digitalizada com vantagens econômicas para a indústria. O que estamos começando a ver agora, é a internet se tornando o principal suporte para termos acesso a cultura e entretenimento”, observa o estudioso norte-americano Nicholas Carr, autor de A Grande Mudança (Editora Landscape), em que defende que a computação em nuvem está mudando a sociedade de forma tão profunda quanto à energia elétrica nos últimos cem anos.

Antes, no entanto, é preciso entender a evolução que permitiu chegarmos aqui. O culto despertado pelo iPod consagrou, na música, o dispositivo pelo qual se acessa o conteúdo, tornando possível hoje, entre outros motivos, a ascensão da música na nuvem. Se desde a virada do século ninguém dava mais muita bola para o desgastado CD, todos queriam ter o seu tocador de MP3, de preferência o iPod. Por sua vez, o sucesso do aparelho, no seu conceito original, só foi possível porque antes a prática de copiar CDs e compartilhar música na rede, simbolizada pela explosão do Napster, havia se disseminado.

O público estava, portanto, sedento por um dispositivo bacana em que pudesse colocar as suas músicas e levá-las consigo para onde quiser. O iPod, por sua vez, tirou vantagem também, do surgimento mais de vinte anos antes do Walkman que levou a música para ser trilha sonora inseparável de milhões – hoje, bilhões – de pessoas em todo o mundo. Na verdade, o que se viu durante toda a história da música como produto – iniciada com o fonógrafo – pode ser resumida como uma busca por ser cada vez mais acessível e disseminada.

Voltando no tempo, depois do fonógrafo levar a música para além das apresentações ao vivo, o rádio espalhou-a por novos ambientes e momentos do dia a dia das pessoas. Além disso, foi ele que introduziu o acesso gratuito as canções. Enquanto, a música transcendeu a barreira do suporte há muito tempo, os livros apenas agora começam a se libertar do papel. Por sua vez, os filmes estão no meio do caminho entre uma coisa e outra. Eis a explicação do motivo da oferta de conteúdo musical por streaming, ou seja, na nuvem, ser tão mais variada.

Os efeitos dessa mudança já podem ser observados como de costume entre a fatia do público mais ávida por música. Tanto nos Estados Unidos, como no Reino Unidos, duas diferentes pesquisas chegaram a mesma conclusão. O consumo de música em sites de streaming aumenta, principalmente entre os mais jovens, ao mesmo tempo, que o uso regular de sites de compartilhamento de músicas cai.

Uma outra clara evidência de que a nuvem veio mesmo para ficar está nos estúdios de cinema. Apesar de viveram as turras com serviços de streaming de filmes, como o Netflix, todos os grandes estúdios de cinema trabalham em serviços baseados na nuvem. A Disney (da qual Steve Jobs, o lendário fundador e CEO da Apple, é o maior acionista individual), por exemplo, desenvolve o Keychest, tecnologia que permitira ao público pagar um preço único pelo acesso permanente a um filme em diferentes plataformas ou aparelhos com acesso a internet, como computador, vídeo game, celulares, etc. Na literatura, as coisas ainda engatinham em menor velocidade.

“Spotify, Hulu, Google Books, etc. são todos bons exemplos, mas nenhum deles é completo o suficiente. Alguém (adivinhe quem?) precisa se dedicar e juntar tudo isso sob um grande guarda-chuva, com uma única interface e um único lugar em que as pessoas possam administrar todo o seu conteúdo, sejam livros, filmes, músicas, etc. Atualmente  isto é tudo muito fragmentado e essas empresas estão trabalhando em produtos isolados”, afirmou ao Link Steve Jobs, dono da Apple. Quer dizer, o Fake Steve Jobs, personagem criado pelo jornalista norte-americano especializado em mídia e tecnologia Dan Lyons.

É, ele também parece saber muito bem o que diz. Não por acaso, durante um bom tempo houve quem achasse até no Vale do Silício que o Fake (falso, em inglês) era uma brincadeira do original. E o verdadeiro Jobs, o que será que está tramando? Uma pista foi dada no final de semana passado quando a Apple revelou a compra do serviço de streaming de música Lala. Não dúvide: todos os caminhos levam à nuvem.

MÍDIA FÍSICA
Sempre haverá mercado para a mídia física, nem que seja para colecionar. Prova disso é o revival do vinil nos últimos anos. Ainda há muita gente que prefere o suporte físico a uma cópia digital. E não será o streaming e a nuvem a pôr fim nisso. Ao menos, não por enquanto.

DOWNLOAD
Apesar da facilidade do streaming, nada leva a crer que o download acabará de uma hora pra outra. Até porque quase tudo que está na nuvem por ser baixado. E o download, de alguma forma, da às pessoas a sensação de “posse” sobre o produto.

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Sempre sonhando, sempre conectado

8 07 2010

Um dos principais escritores de sua geração – e autor do livro que deu origem ao filme ‘Coraline’ –, Neil Gaiman é onipresente online

Imagine um sujeito que em meio a um sonho mais interessante pensa, ainda dormindo, como aquela situação merecia um post no seu perfil do Twitter. E, ainda no sonho, começa a procurar pelo seu celular – no caso um G1, da HTC (o primeiro com o festejado sistema operacional desenvolvido pelo Google, o Android. E, que segue ainda inédito no Brasil). Ah, não preciso nem dizer que além de meio “sonhador”, nosso personagem também é super conectado.

E aí, já imaginou? A anedota descrita acima é verdadeira e seu protagonista atende pelo nome de Neil Gaiman, premiado escritor britânico que começou nos quadrinhos e hoje escreve livros e filmes. Sua vasta obra revela um interesse pessoal por temas sombrios e ocultos, mas principalmente uma predileção pelos sonhos. Não por acaso, a cultuada série Sandman, um dos seus trabalhos mais famosos – e primeira obra em quadrinhos a ganhar um prêmio literário, o World Fantasy Award, de 1991 – contava a história de Morpheus, o senhor dos sonhos, aquele que reina no mundo onírico para onde todos vamos quando… sonhamos.

Entretanto, o que seus textos não revelam é que Gaiman é um fanático por gadgets (ele coleciona iPods e computadores, e aposentou o seu iPhone assim que foi lançado o G1, afinal: “todo mundo tem o telefone da Apple, então eu tenho um Google Phone”, justifica). E, muito mais importante do que isso, ele é também um grande entusiasta das inúmeras possibilidades de interação online com seus fãs. “A internet parece criar uma ilusão de que somos todos íntimos e de que estamos mais próximos”, disse Gaiman ao Link, em entrevista por telefone.

O escritor mantém um blog (journal.neilgaiman.com), que recebe mais de um milhão de visitantes únicos por mês, há oito anos. Mas, atualmente, ele anda mesmo impressionado é com o Twitter, onde criou seu perfil em segredo há apenas dois meses e já é seguido, de perto, por mais de 26 mil fiéis: “Percebo que nele (www.twitter.com/neilhimself), eu tenho muito mais poder e responsabilidade do que no meu blog. E isso é algo que eu nunca havia imaginado”, afirmou.

Gaiman fez essa observação influenciado pela reação inflamada de boa parte de seus seguidores, no popular site de microblog. Isso, após um post seu no Twitter sobre reportagens que colocavam o cineasta Tim Burton (A Fantástica Fábrica de Chocolate) como diretor da animação em “stop-motion” Coraline (que estreou na sexta-feira, 13, no País), baseada em um livro infanto-juvenil de sua autoria. O longa é dirigido, na verdade, pelo americano Henry Selick, do cultuado O Estranho Mundo de Jack, de 1993 – este sim produzido por Burton, o que deve ter originado o tal equívoco. “As pessoas estão vendo tudo e é preciso aprender a usar isso a seu favor”, observou o autor sobre o ocorrido.

ROCK STAR

O investimento maciço e inteligente em ações online fez com que Gaiman se tornasse não só um dos escritores de ficção fantástica mais lidos do mundo, mas também uma espécie de “rockstar” da literatura, capaz de mobilizar uma multidão. Em 2008, na sua última visita ao Brasil, durante a 6ª Festa Literária de Paraty, a Flip, não foi diferente. Por mais de cinco horas, ele atendeu pacientemente cerca de 600 fãs.

Ainda no ano passado, Gaiman convenceu a sua editora a registrar a turnê de divulgação de seu novo livro, The Graveyard Book (ainda não editado no País). Na página há vídeos gratuitos de Gaiman lendo o livro de forma integral (www.mousecircus.com/videotour.aspx). Achou pouco? Ainda, no site da sua editora é possível ler digitalmente cerca de 20% deste e de vários outros dos seus títulos, como Coraline, Deuses Americanos, etc. Este último livro por sinal esteve disponível na íntegra durante um mês, após uma votação popular no site oficial de Gaiman (www.neilgaiman.com). A iniciativa fez a vendagem dos livros de Gaiman crescer.

De alguma forma, Gaiman se assemelha ao brasileiro Paulo Coelho, quando o assunto é afinidade com as novas tecnologias. Coelho foi até um pouco mais além, ao criar um blog em que disponibiliza links para arquivos piratas de toda a sua obra, o Pirate Coelho (piratecoelho.wordpress.com).

O fato é que queiram – ou não – as editoras, os livros de Gaiman e de inúmeros outros autores estão disponíveis na rede – ainda que de forma ilegal. “O perigo não está em livros serem lidos de graça. Mas, neles não serem lidos”, ponderou Gaiman. Sábias palavras.

‘Coraline’ sai do trivial na internet

Atualmente, qualquer filme é divulgado pela web. Por isso, o negócio é saber se diferenciar oferecendo algo novo. A animação em “stop-motion” (técnica que utiliza bonecos, figurinos e cenários reais, mas em miniatura), Coraline se saiu bem no quesito.

Além de ser a primeira produção do gênero feita em 3D, o filme, que conta a mágica e assustadora história de uma corajosa menina de cabelos azuis com apenas 11 anos, soube usar de forma bastante criativa as possibilidades abertas pela rede – mas, não só elas.

De alguma forma, a campanha de marketing precisava mostrar que o filme era muito mais do que apenas uma animação para crianças. Assim, enigmas virtuais, ações interativas em painéis espalhados por metrópoles americanas, banners online hilários, blogs falsos, um site incrível (www.coraline.com), e até um modelo de tênis da Nike exclusivo foi criado, tudo para ajudar na divulgação.

O objetivo nas palavras de Phil Knight, presidente do estúdio Laika, que produziu o filme, era: “reinventar o jeito de se divulgar um filme”. Um vídeo disponível no YouTube em http://tinyurl.com/czchur, ajuda a entender toda a criativa campanha. E, não há como discordar: eles mandaram muito bem. Juntas, todas as ações refletiam a natureza única do projeto.

Não deixe de ver ainda no popular site de vídeos, alguns clipes (destaque para http://tinyurl.com/d4etg8) que ajudam a entender a singularidade dessa bela produção feita de forma artesanal.

Que, na opinião de Neil Gaiman, resultou em “um filme maravilhoso”. E é mesmo.

Leia também aqui.

Perfil publicado por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 16 de fevereiro de 2009.





“O computador ajudou muito a suprir minhas limitações, minha falta de técnicas de desenho”

23 06 2010

Diretor de “Era do Gelo 3”, Carlos Saldanha, o brasileiro mais bem sucedido em Hollywood em todos os tempos, fala de 3D, novo filme “Rio” e muito mais

Você já deve ter ouvido falar que com as novas tecnologias é mais fácil produzir e divulgar conteúdo. O carioca Carlos Saldanha, de 40 anos, é anterior a revolução digital que vivemos nos últimos anos. Entretanto, foi, em parte, graças a sua afinidade com a tecnologia que ele conseguiu deslanchar na profissão.Apaixonado por desenho desde pequeno – o gosto pelos videogames e o computador veio na adolescência -, ele não chegou a fazer nenhum curso de artes e assume que não era um grande desenhista, apesar de acreditar que sempre teve talento para coisa. “O computador nunca foi uma barreira para mim. Conseguia através do computador me expressar criativamente. E, no início, ele ajudou muito a suprir minhas limitações, minha falta de técnicas de desenho.”

Diretor dos três desenhos da série “Era do Gelo” (sendo o primeiro ao lado de Chris Wedge – responsável pelos grunhidos de Scrat), Saldanha é o brasileiro mais bem-sucedido em Hollywood em todos os tempos, ao menos em termos de bilheteria (só os dois primeiros filmes da franquia gelada arrecadaram mais de U$S 1 bilhão). Quem o vê hoje nem imagina que, em meados da década de 80, trabalhou como analista de sistemas no Brasil. Tudo isso, até que, finalmente, no início dos anos 90, decidiu fazer um curso de extensão universitária sobre animação em computação gráfica na School of Visual Arts, em Nova York.

O estalo de que a animação em computação gráfica poderia ser a melhor opção para que ele conciliasse seu gosto pelas artes e pela tecnologia, aconteceu quando ele assistiu ao pioneiro curta-metragem “Luxo.Jr” (1986), de John Lasseter, o chefão da hoje toda poderosa Pixar. Foi durante sua estada em Nova York que Saldanha, com muito esforço, conseguiu produzir seu primeiro curta de animação, que leva o nome de “Time for Love” (1994).

Tanto sacrifício foi recompensado quando finalmente ele foi convidado por Chris Wedge (que na época era seu professor) para ingressar em um pequeno e, então, quase desconhecido estúdio de animação, chamado Blue Sky, voltado para publicidade. Com o tempo, o trabalho do ateliê ganhou fama até que foi comprado pela Fox, em 1998. De lá para cá, a Blue Sky produziu, além dos três filmes da série “Era do Gelo”, os desenhos “Robôs” (2005) e “Horton e o Mundo dos Quem” (2008).

Em virtude do lançamento de “Era do Gelo 3”, nos cinemas, a estreia aconteceu na quarta-feira, 1, Saldanha conversou com o Link sobre os desafios da nova animação, a moda dos filmes em 3D e seu próximo projeto, a animação “Rio”, por telefone, direto dos Estados Unidos:

A riqueza da textura dos personagens e dos cenários, assim como da fluidez dos movimentos têm impressionado muito nas novas animações. Qual a importância da tecnologia para o gênero?
A tecnologia está presente para servir aos objetivos da narrativa, apesar do visual estar cada vez melhor. No final, se a história não é boa não funciona. Quer dizer, se a história e os personagens não forem bons e cativantes não adianta nada, o filme simplesmente não emplaca. É preciso achar um equilíbrio. Mesmo o 3D, ele não está aí para ser a estrela do filme. Ele é um algo mais que pode tornar o filme mais agradável de ver. Eu vejo o 3D como algo que vai tornar a experiência de assistir esse filme mais gratificante para o público.

Você particularmente gosta do 3D? Acredita que ele possa ser o “futuro do cinema”?
No momento nossas projeções são para fazer tudo em 3D daqui pra frente. Entretanto, o 3D pode se revelar no futuro como apenas um momento, uma moda de agora. Mas, as pesquisas indicam que há uma demanda forte pelo formato. É uma tendência que está em grande alta. Eu tenho um problema com o 3D quando as coisas ficam muito na sua cara, querendo mostrar que é 3D. Isso me tira um pouco do objetivo da história. Acho que quando ele funciona de uma forma natural é mais interessante.

E o que muda na hora de se fazer um filme em 3D?
É preciso ficar mais ligado com os detalhes, com relação à composição dos personagens, ao movimento de câmera. A gente tem que tomar alguns cuidados para que não se perca o efeito 3D ou crie um efeito exagerado que possa gerar um desconforto no público. Além disso, consome um pouco mais de tempo e de dinheiro.

De alguma forma, a tecnologia pode limitar a criatividade?
A tecnologia sempre tem um limite e a criatividade serve para driblar essas limitações, que não são só tecnológicas. A criatividade não deve ser usada apenas para criar mas também para achar soluções criativas para problemas que você encontra durante o processo de produção. E, hoje, o mercado está super concorrido e, por isso, os prazos estão muito apertados. A pressão é grande para que façamos um filme cada vez mais rápido. E nós (a Blue Sky) não somos uma empresa tão grande, então, não conseguimos fazer vários filmes ao mesmo tempo. E, como esses filmes demoram muito tempo para ser feito, a gente tem uma pressão ainda maior para sermos mais rápido.

O Scrat (que tem grande empatia do público e que a cada filme vem ganhando mais espaço em cena) parece ser um personagem quase que saído de um desenho do Chuck Jones (lendário animador criador de personagens como Coiote e Papa-Léguas, e responsável pela irreverência e o humor nonsense característico da turma do Pernalonga). Você enxerga essa relação?
Eu cresci assistindo os desenhos da Disney, os trabalhos do Chuck Jones também, como o Papa-Léguas. Além da Hanna Barbera, com o Tom & Jerry. Esse foi o meu mundinho da animação. E, apesar de todos os filmes novos que vêm saindo, as nossas referências são esses grandes mestres da animação. Tudo que a gente faz tem como forma principal de inspiração esses trabalhos. E o Scrat, primeiro de tudo, é um personagem que não fala, como era boa parte dos desenhos antigos. Além disso, ele tem um estilo de movimento bem rápido, meio neurótico, que lembra sim o Chuck Jones. Eu adoro olhar esses filmes para me inspirar. Ver o que eles faziam para tornar os personagens mais interessantes, engraçados.

Os dois primeiros filmes da franquia foram muito bem sucedidos (“Era do Gelo 2” é uma das cinco animações mais assistidas de todos os tempos). Qual o segredo do sucesso da série?
E qual sua expectativa para a terceira parte?Estou confiante. Temos a nosso favor, o fato de que as pessoas já amam os nossos personagens e têm interesse em continuar a acompanhar a saga deles. Acredito que o nosso apelo maior são os personagens. Não é em todos os filmes, que conseguimos criar personagens tão marcantes que você se lembra para o resto da vida.

Como você vê a concorrência com a Pixar e a Dreamworks?
Você assiste aos filmes deles?
Vejo todos e admiro muito o trabalho deles. E estamos todos no mesmo barco. Torço para que eles façam bons filmes. Isso estimula o público a ver mais desenhos. Temos uma concorrência saudável. Além disso, eles têm uma equipe bem maior do que a nossa e cada uma tem um estilo.

O seu próximo projeto é uma animação que irá se passar no Rio de Janeiro (cidade natal de Saldanha), chamada “Rio”, que contará a história de uma arara-nerd, que sai de Minnesota, nos EUA, para ir ao Rio de Janeiro. E a estreia está prevista para abril de 2011…
Estou correndo que nem um louco para tentar fazer. E esse é um projeto que eu tenho na cabeça há um bom tempo, desde o primeiro “Era do Gelo”. Mesmo antes, eu sempre tive o sonho de fazer um filme com o Brasil, porque acho que é um cenário perfeito – as cores, a música, a beleza do lugar. Além disso, o Rio é um ícone quando se pensa no nosso País e quero tentar mostrar um pouquinho da minha cidade para o mundo.

Leia também aqui.

Entrevista publicada por @brunogalo no blog do Link do Estadão em 2 de agosto de 2009.




O mundo visto pelos olhos de um romântico

4 06 2010

Conheça o cultuado, premiado e copiado trabalho desse criativo – e low tech – diretor francês, ganhador do Oscar

Criativo, esse costuma ser o adjetivo mais usado para descrever Michel Gondry, de 45 anos, e o seu trabalho. Através de truques simples, “low tech”, ele nos encanta, surpreende e cria tendências que mais tarde acabam assimiladas pela indústria do entretenimento.

O recurso de brincar com a passagem do tempo – fazendo pequenas pausas –, por exemplo, na qual Gondry foi pioneiro, em clipes como Like a Rolling Stone, com os próprios Rolling Stones, e Army of Me, com Bjork, ambos de 1995, deu as caras em Hollywood com Matrix (1999). A diferença é que, enquanto em Gondry o efeito é visceral, meio imperfeito, em Matrix ele é limpo, tecnicamente perfeito.

“Eu me sentiria limitado como criador se me submetesse unicamente à tecnologia”, disse Gondry ao Link por telefone, antes de aterrissar em São Paulo para o lançamento da exposição interativa Rebobine, Por Favor, baseada no filme homônimo, dirigido por ele.

Na comédia, com estréia prevista para a próxima sexta-feira, Jack Black e Mos Def vivem uma dupla que, após apagar acidentalmente as fitas VHS da locadora em que um deles trabalha, passa a recriar os filmes destruídos (como Robocop e Os Caça-Fantasmas) em versões toscas ou “suecadas” (sweded, em inglês), como eles chamam no filme.

Mesmo antes do lançamento, Gondry explorou, com grande sucesso, a “suecagem” (veja em http://www.youtube.com/bekindmovie) na campanha de marketing do longa. A brincadeira virou até mania no YouTube. É possível encontrar versões de fãs para Kill Bill, O Senhor dos Anéis, Forrest Gump, entre muitos outros.

“Hoje, com a tecnologia é possível fazer qualquer coisa, quase não há desafio. Gosto de trabalhar de forma mais artesanal. E, mesmo quando uso o digital, quero que as pessoas tenham a sensação de que podem tentar recriar aquilo em casa”, explicou Gondry, em coletiva para a imprensa, durante sua passagem pelo País.

Na conversa com a mídia, ele esbanjou simpatia e bom humor, apesar de sua visível timidez. Em um dos momentos mais curiosos do encontro, Gondry brincou com a mediadora/tradutora – em uma cena que parecia tirada do filme Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola. “Eu só falei isso?”, perguntou à la Bill Muray.

A idéia do “faça você mesmo” está na essência da exposição, que fica no MIS, em São Paulo, até 11 de janeiro. Lá visitantes previamente inscritos no site do evento (www.rebobineporfavorexposicao.com.br) podem criar os seus próprios curtas em cenários reais do filme.

Essa vontade de incentivar as pessoas a “botarem a mão na massa” já é antiga no trabalho do diretor. Nos extras do DVD do mais famoso longa de Gondry, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004), o diretor mostra de forma minuciosa diversos truques usados na produção, que lhe rendeu o Oscar de melhor roteiro. Em http://www.tinyurl.com/brilhoeterno é possível ver um pequeno e interessante exemplo.

INVENTOR

Ainda criança, Gondry adorava brincar com o seu irmão de “fingir de filmar”. Mas ele queria mesmo era ser inventor – criador de traquitanas, assim como seu avô. O trabalho como diretor começou meio por acaso em 1988. Gondry era baterista da banda de rock francesa Oui Oui, quando começou a produzir clipes em animação – sua preferência – para divulgá-la. “Considero a animação o veículo ideal para expressar as minhas idéias”, conta. Não demorou até a cantora Bjork se encantar pelo suas criações e convidá-lo para dirigir o seu primeiro trabalho solo, Human Behavior (1993). A partir daí, Gondry não parou mais. E o número de obras notáveis desse socialista assumido é impressionante (conheça algumas no box ao lado).

A sua fértil imaginação está presente em praticamente toda a sua obra, não como um fim em si, mas como um meio para embalar a sua visão romântica e autobiográfica de mundo. Da luta para ser aceito, de Na Natureza Quase Humana (2001), à força de um amor sem fim, de Brilho Eterno (2004), passando por um sujeito que vive “no seu mundo”, de Sonhando Acordado (2006), até a declaração de amor a magia do cinema, em Rebobine, Por Favor (2008), é possível identificar sempre a faceta romântica de um sujeito que se confessa antiquado. “Gosto de escrever a mão. Acho até mais fácil”, conta ele, que proibiu seu filho de 11 anos de ter um videogame em casa e não é muito ligado em gadgets. “Não tenho paciência”, diz.

Gondry é o primeiro a não se levar muito a sério e àqueles que vêem o seu trabalho como uma forma de arte ele diz: “Não tenho essa pretensão, tampouco de ensinar alguém. Quero fazer as pessoas se divertirem e quem sabe estimulá-las”.

Passados tantos anos desde o seu sonho infantil, ele não se tornou um criador de traquitanas, mas de certa forma acabou se tornando um inventor. Só que de imagens e conceitos inovadores.

Os delírios visuais de Gondry na web

O metódico francês Michel Gondry (www.michelgondry.com) ficou famoso por privilegiar truques de edição e animação, além de belíssimos planos seqüência (uma das suas principais marcas) a ousados efeitos digitais. Conheça – ou relembre – um pouco do melhor desse diretor de clipes, comerciais e filmes, que no tempo livre gosta de aprontar umas brincadeirinhas online:

CUBO MÁGICO – Em 2006, o francês deixou muita gente de cabelo em pé ao resolver o cubo mágico com os pés em menos de um minuto (veja em http://www.tinyurl.com/gondrycube). Para descobrir o truque, confira o vídeo em tinyurl.com/gondryfeet. Mais tarde ele voltou ao cubo mágico agora para resolvê-lo com o nariz e depois para Jack Black (estrela de Rebobine, Por Favor) resolver dez cubos ao mesmo tempo;

CLIPES MUSICAIS – Alguns dos trabalhos memoráveis do diretor que merecem ser vistos são: em 1994, Lucas With the Lid Off (www.tinyurl.com/yppbvp), de Lucas. Em 1996, Sugar Water (www.tinyurl.com/28at3y), de Cibo Matto. Em 1997, Around the World (www.tinyurl.com/28daqa), de Daft Punk. Em 1999, Let Forever Be (www.tinyurl.com/39eqbf), de The Chemical Brothers. Em 2002, Come Into My World (tinyurl.com/2jhxow), de Kyle Minogue, e Fell in Love With a Girl (www.tinyurl.com/he987), de The White Stripes. Ufa! A lista poderia ser bem maior – acredite – mas ficaremos apenas nesses. O documentário The Work of Michel Gondry (2003), com 300 minutos de duração, traz todos os clipes do francês, além de making-offs e entrevistas;

COMERCIAIS – Em 1994, ele dirigiu Drugstore (www.tinyurl.com/5m4xh8) para a Levis. O comercial é considerado pelo Guinness Book o mais premiado de todos os tempos. Outros comerciais notáveis foram feitos para a Smirnoff (www.tinyurl.com/557y23), a HP (www.tinyurl.com/34shwd), a Coca-Cola (www.tinyurl.com/5l4mv4), a Air France (tinyurl.com/5b387l) e a Motorola (www.tinyurl.com/62br8y).

Leia também aqui ou aqui.

Perfil publicado por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 8 de dezembro de 2008.