‘A pirataria é sobretudo uma forma de divulgar o trabalho’, diz Paulo Coelho

17 08 2010

“Cibernético”. É assim que o escritor Fernando Morais, autor da biografia O Mago, sobre Paulo Coelho, o define. Em entrevista por e-mail, o escritor, que já vendeu mais de 100 milhões de exemplares em todo o mundo, comentou o futuro do livro na era digital.

Como você enxerga a relação entre livros e internet?
Digamos que a internet é um meio onde se lê e se escreve, o que fez com que o livro se tornasse, hoje em dia, o que a música era para a minha juventude: o grande referencial de época.

Essa relação é positiva?
Extremamente. Está obrigando as pessoas a desenvolverem uma nova linguagem, fazendo com que leiam mais, já que precisam escrever. E escrevendo mais, tendo alternativas de publicação, etc.

Como a internet pode influenciar a literatura?
De diversas maneiras. Permitindo que se tenha acesso a muitos trabalhos que normalmente ficariam nas gavetas (hoje estão hospedados em servidores, ou seja, uma “gaveta” que qualquer um pode abrir) e democratizando a literatura, permitindo que todos possam expressar, à sua maneira, o que sentem.

Um dia podemos ver o fim do livro de papel?
Depende. Acho que, para a ficção, o livro continuará como a melhor alternativa pelos próximos 50 anos. Para livros técnicos, suportes eletrônicos serão mais usados, sobretudo por causa do peso e da quantidade de informações que pode ser armazenada.

O mercado de livros ainda vai sofrer por causa dessa “pirataria”?
Claro que não. É uma forma de divulgar o trabalho. Com a ajuda dos leitores, criei o site Pirate Coelho, que pode ser acessado do meu blog, http://www.paulocoelhoblog.com. Ali coloco todas as traduções que encontro na internet, facilitando o trabalho de piratear meus livros.

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Leia original aqui

Entrevista publicada por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 11 de agosto de 2008

Crédito da foto: paulo_coelho

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Novo tipo de leitor está em formação, diz estudo

17 08 2010

Segundo pesquisa, 7% dos leitores já baixam livros na web, para coordenador é uma nova tendência; autores famosos concordam e divergem

O livro de papel vai acabar? A pergunta parece meio velha, ou pelo menos um lugar-comum, mas, como começo de conversa, é meio inevitável. Já as respostas, embora tenham sido na maioria negativas, podem surpreender: “Se me contassem há dez anos tudo o que temos hoje, eu não acreditaria. É impossível prever o que o futuro nos reserva”, disse ao Link o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro.

Já seu colega entre os imortais, o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Cícero Sandroni, é bem mais cético em relação a eventuais novidades. “O livro de papel continua inabalável em sua força e difusão, em nada incomodado pelas novas tecnologias”, disse.

O escritor paquistanês Mohsin Hamid, que participou do projeto pioneiro de literatura na web We Tell Stories (leia mais na pág. L8), também defende o formato tradicional: “Ele é uma tecnologia perfeita. Barato, durável, fácil de usar e não precisa de bateria.”

Mesmo o blogueiro Alessandro Martins, do site Livros e Afins (www.alessandromartins.com.br), entusiasta dos e-books (livros eletrônicos), reconhece que o papel segue imbatível: “Ainda me parece ser a melhor forma de transportar e consumir literatura.”

UM NOVO TIPO DE LEITOR?
Mas o escritor Paulo Lins, autor de Cidade de Deus, lembra que vivemos em uma sociedade onde os hábitos e costumes estão em constante transformação. “As crianças se adaptam muito bem à tela do computador. Não me surpreenderia se, em breve, elas lessem livros inteiros no monitor”, observa.

Isso sem falar na possibilidade de consumir e-books em PDAs, celulares, videogames portáteis e, mais do que isso, em dispositivos específicos.

Embora a maioria das editoras brasileiras mais importantes não ofereça e-books, eles já começam a ganhar espaço. Atualmente, no Brasil, 7% das pessoas que costumam ler livros baixam obras gratuitamente da internet. O dado é da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope.

“Apesar de pequeno, esse percentual é surpreendente”, diz Galeno Amorin, diretor do Observatório do Livro e da Leitura e coordenador da pesquisa. “Está em formação um novo tipo de leitor”, analisa.

Leitores de gerações diferentes como Nelson Corrêa, de 49 anos, e Carlos Alberto Correa Filho, de 27 anos, concordam. “Costumo ler cerca de 15 livros por ano no Palm”, diz o primeiro. “Gosto da praticidade de carregar mais de um livro comigo e poder variar a leitura entre eles”, conta o segundo.

Lançado em novembro de 2004, o portal Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br) oferece gratuitamente mais de 75 mil títulos, entre eles clássicos de Machado de Assis e William Shakespeare (em português). Apenas dele já foram baixadas mais de 8,5 milhões de obras. Dante Alighieri, com a Divina Comédia, é o campeão, com mais de 500 mil downloads.

E há sites que disponibilizam gratuitamente – e na maioria das vezes sem autorização – obras escritas recentemente. Entre eles, o Viciados em Livros (www.viciadosemlivros.com.br), que recebe cerca de 80 mil visitas por mês, e o Projeto Democratização da Leitura (www.portaldetonando.com.br).

Lancelot, codinome de um dos fundadores do Viciados em Livros, diz que os livros disponíveis no site são destinados a leitores com baixo poder aquisitivo ou pessoas com deficiência visual, que só conseguem ler livros no computador ou com a ajuda de softwares específicos. “Também oferecemos livros esgotados e obras que não foram traduzidas”, disse.

AUTOPIRATARIA
Enquanto a maioria dos autores critica esse tipo de iniciativa, o mais bem-sucedido entre eles, ao menos em termos de vendagem, vai na direção oposta. Paulo Coelho criou o Pirate Coelho (piratecoelho.wordpress.com), onde disponibiliza arquivos piratas, inclusive traduções de seus best-sellers globais. “Ali coloco todas as traduções de livros meus que encontro na web, facilitando o trabalho de pirateá-los”, explica.

Coelho acredita que a rede “é livre e anárquica” e diz ser ser inútil lutar contra ela. Segundo o autor, a disponibilização gratuita de livros na web não prejudica a venda: “Pelo contrário, é uma forma de divulgar o trabalho.” Para ele, as pessoas podem gostar e, então, decidirem comprar o original na livraria mais próxima.

Mas sua opinião não encontra eco entre a maioria dos autores e editores ouvidos pelo Link. Fernando Morais, por exemplo, que acaba de lançar justamente uma biografia sobre Coelho, a quem classifica de “cibernético”, afirmou: “Eu sou mineiro, sou mais prudente. O Paulo é carioca, é mais atirado. Não faria isso que ele fez sem ter certeza de que não afetaria a venda dos meus livros.”

“O que faz o Paulo Coelho é uma boa idéia, se você for o Paulo Coelho”, disse Luis Fernando Veríssimo.

Para o diretor-geral da editora Planeta, César González de Kehrig, o negócio editorial “vai existir sempre e vamos nos adaptar. O fim do livro de papel seria ruim para as gráficas, não para as editoras”. “Nossa função independe do suporte”, diz o presidente da editora Record, Sérgio Machado. Será?

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Matéria publicada por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 11 de agosto de 2008





Sempre sonhando, sempre conectado

8 07 2010

Um dos principais escritores de sua geração – e autor do livro que deu origem ao filme ‘Coraline’ –, Neil Gaiman é onipresente online

Imagine um sujeito que em meio a um sonho mais interessante pensa, ainda dormindo, como aquela situação merecia um post no seu perfil do Twitter. E, ainda no sonho, começa a procurar pelo seu celular – no caso um G1, da HTC (o primeiro com o festejado sistema operacional desenvolvido pelo Google, o Android. E, que segue ainda inédito no Brasil). Ah, não preciso nem dizer que além de meio “sonhador”, nosso personagem também é super conectado.

E aí, já imaginou? A anedota descrita acima é verdadeira e seu protagonista atende pelo nome de Neil Gaiman, premiado escritor britânico que começou nos quadrinhos e hoje escreve livros e filmes. Sua vasta obra revela um interesse pessoal por temas sombrios e ocultos, mas principalmente uma predileção pelos sonhos. Não por acaso, a cultuada série Sandman, um dos seus trabalhos mais famosos – e primeira obra em quadrinhos a ganhar um prêmio literário, o World Fantasy Award, de 1991 – contava a história de Morpheus, o senhor dos sonhos, aquele que reina no mundo onírico para onde todos vamos quando… sonhamos.

Entretanto, o que seus textos não revelam é que Gaiman é um fanático por gadgets (ele coleciona iPods e computadores, e aposentou o seu iPhone assim que foi lançado o G1, afinal: “todo mundo tem o telefone da Apple, então eu tenho um Google Phone”, justifica). E, muito mais importante do que isso, ele é também um grande entusiasta das inúmeras possibilidades de interação online com seus fãs. “A internet parece criar uma ilusão de que somos todos íntimos e de que estamos mais próximos”, disse Gaiman ao Link, em entrevista por telefone.

O escritor mantém um blog (journal.neilgaiman.com), que recebe mais de um milhão de visitantes únicos por mês, há oito anos. Mas, atualmente, ele anda mesmo impressionado é com o Twitter, onde criou seu perfil em segredo há apenas dois meses e já é seguido, de perto, por mais de 26 mil fiéis: “Percebo que nele (www.twitter.com/neilhimself), eu tenho muito mais poder e responsabilidade do que no meu blog. E isso é algo que eu nunca havia imaginado”, afirmou.

Gaiman fez essa observação influenciado pela reação inflamada de boa parte de seus seguidores, no popular site de microblog. Isso, após um post seu no Twitter sobre reportagens que colocavam o cineasta Tim Burton (A Fantástica Fábrica de Chocolate) como diretor da animação em “stop-motion” Coraline (que estreou na sexta-feira, 13, no País), baseada em um livro infanto-juvenil de sua autoria. O longa é dirigido, na verdade, pelo americano Henry Selick, do cultuado O Estranho Mundo de Jack, de 1993 – este sim produzido por Burton, o que deve ter originado o tal equívoco. “As pessoas estão vendo tudo e é preciso aprender a usar isso a seu favor”, observou o autor sobre o ocorrido.

ROCK STAR

O investimento maciço e inteligente em ações online fez com que Gaiman se tornasse não só um dos escritores de ficção fantástica mais lidos do mundo, mas também uma espécie de “rockstar” da literatura, capaz de mobilizar uma multidão. Em 2008, na sua última visita ao Brasil, durante a 6ª Festa Literária de Paraty, a Flip, não foi diferente. Por mais de cinco horas, ele atendeu pacientemente cerca de 600 fãs.

Ainda no ano passado, Gaiman convenceu a sua editora a registrar a turnê de divulgação de seu novo livro, The Graveyard Book (ainda não editado no País). Na página há vídeos gratuitos de Gaiman lendo o livro de forma integral (www.mousecircus.com/videotour.aspx). Achou pouco? Ainda, no site da sua editora é possível ler digitalmente cerca de 20% deste e de vários outros dos seus títulos, como Coraline, Deuses Americanos, etc. Este último livro por sinal esteve disponível na íntegra durante um mês, após uma votação popular no site oficial de Gaiman (www.neilgaiman.com). A iniciativa fez a vendagem dos livros de Gaiman crescer.

De alguma forma, Gaiman se assemelha ao brasileiro Paulo Coelho, quando o assunto é afinidade com as novas tecnologias. Coelho foi até um pouco mais além, ao criar um blog em que disponibiliza links para arquivos piratas de toda a sua obra, o Pirate Coelho (piratecoelho.wordpress.com).

O fato é que queiram – ou não – as editoras, os livros de Gaiman e de inúmeros outros autores estão disponíveis na rede – ainda que de forma ilegal. “O perigo não está em livros serem lidos de graça. Mas, neles não serem lidos”, ponderou Gaiman. Sábias palavras.

‘Coraline’ sai do trivial na internet

Atualmente, qualquer filme é divulgado pela web. Por isso, o negócio é saber se diferenciar oferecendo algo novo. A animação em “stop-motion” (técnica que utiliza bonecos, figurinos e cenários reais, mas em miniatura), Coraline se saiu bem no quesito.

Além de ser a primeira produção do gênero feita em 3D, o filme, que conta a mágica e assustadora história de uma corajosa menina de cabelos azuis com apenas 11 anos, soube usar de forma bastante criativa as possibilidades abertas pela rede – mas, não só elas.

De alguma forma, a campanha de marketing precisava mostrar que o filme era muito mais do que apenas uma animação para crianças. Assim, enigmas virtuais, ações interativas em painéis espalhados por metrópoles americanas, banners online hilários, blogs falsos, um site incrível (www.coraline.com), e até um modelo de tênis da Nike exclusivo foi criado, tudo para ajudar na divulgação.

O objetivo nas palavras de Phil Knight, presidente do estúdio Laika, que produziu o filme, era: “reinventar o jeito de se divulgar um filme”. Um vídeo disponível no YouTube em http://tinyurl.com/czchur, ajuda a entender toda a criativa campanha. E, não há como discordar: eles mandaram muito bem. Juntas, todas as ações refletiam a natureza única do projeto.

Não deixe de ver ainda no popular site de vídeos, alguns clipes (destaque para http://tinyurl.com/d4etg8) que ajudam a entender a singularidade dessa bela produção feita de forma artesanal.

Que, na opinião de Neil Gaiman, resultou em “um filme maravilhoso”. E é mesmo.

Leia também aqui.

Perfil publicado por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 16 de fevereiro de 2009.





Será que o futuro do livro é multimídia?

16 01 2010

Às vésperas da Bienal do Livro, o Link entrevista editores, autores e leitores para saber como cada um deles veem a literatura na era digital

Cícero não abre mão do papel. Já Alessandro é um entusiasta dos e-books. Enquanto Carlos Alberto adora ler no PlayStation Portátil (PSP). E Nelson prefere seu Palm TX. Silvia, por sua vez, apaixonou-se pelo Kindle. E Laurentino gosta de “ouvir” um bom livro em seu iPod.

Todos têm em comum o amor pela literatura, mas cada um a consome por meio de uma tecnologia diferente. A mais antiga delas, o livro de papel, não dá sinais de esgotamento, como aconteceu com o CD. Mas, aos poucos, novas formas de ler e fazer literatura começam a ganhar força.

Apontada como incômoda por muitas pessoas, a leitura de livros em equipamentos eletrônicos não pensados para esse fim já é uma realidade. As pessoas lêem e-books no laptop, no Palm, no PSP e até no celular (o iPhone, por exemplo, possui um aplicativo para esse fim). Isso sem contar os audiobooks e os dispositivos específicos, os “e-books readers”, como o Kindle, da Amazon, e o Sony Reader.

“As pessoas se adaptam à mudança com uma velocidade muito grande. Enquanto o meio demora a percebê-la”, pondera José Alcides Ribeiro, professor do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP) e doutor em comunicação e semiótica. É uma revolução silenciosa. Mas que promete transformar o modelo de negócios das editoras. Aqui no Brasil elas parecem pouco se preocupar com essa nova realidade e afirmam que estão bem das pernas.

Aproveitando a 20ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começa na próxima quinta-feira, dia 14, no Anhembi, o Link foi conferir de perto como anda a relação entre literatura e tecnologia. Entrevistamos autores, editores, especialistas e pesquisadores, além, é claro, de pessoas que adoram ler.

E, por falar em Bienal, ela refletirá as possibilidades abertas pela web. Quem nos conta a novidade é Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que organiza o megaevento. “Criamos para essa edição o Livro de Todos (www.livrodetodos.com.br), com o objetivo de aproximar os internautas, especialmente os jovens, da leitura e da escrita, além de desmistificar a idéia de que internet e livros não combinam”, conta.

O projeto de criação coletiva feito pela web foi acessado por 14 mil pessoas entre os dias 16 de maio e 16 de junho. O resultado final, que contou com a colaboração de 173 autores, pode ser lido no próprio site. A versão em papel será lançada durante a Bienal.

APRENDER COM O ERRO ALHEIO
“A indústria do livro não pode repetir o erro da indústria fonográfica”, afirma o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor do best-seller 1808, que narra de forma jornalística a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, há 200 anos.

Mas, afinal, qual o erro a que Laurentino se refere? Em poucas palavras: subestimar a internet e as novas tecnologias. Nos últimos anos o mercado de música vem sendo obrigado a reinventar o seu modelo de negócio para sobreviver na era da música digital.

Para o diretor-geral da editora Ediouro, Luis Fernando Pedroso, ainda não é a hora de investir em e-books no País. E quando será o momento? “Esperamos estar atentos para identificá-lo”, diz. “Não acredito na leitura de livros tradicionais pelo computador ou celular”, afirma Pedroso, que prepara para a Bienal o lançamento de um novo selo de audiobooks.

Já o diretor-geral da editora Objetiva, Roberto Feith, afirma que “a venda de livros via download é uma possibilidade interessante, que no futuro não muito distante vai conquistar uma fatia do mercado”.

Enquanto, as editoras brasileiras estudam o melhor momento para entrar nesse filão, as gravadoras ainda hoje pagam o preço pela demora em abraçar o digital. Laurentino acredita que as editoras de livros estão de certa forma cometendo o mesmo erro. “Não é mais possível nos comunicarmos por uma única mídia, precisamos ser multimídia”, diz.

E como as editoras podem ser multimídias? Inúmeras são as possibilidades: de audiobooks e marketing na web a e-books e sites que complementam a experiência do leitor do livro de papel.

Um bom exemplo desse último caso é o site do livro Vale Tudo (www.objetiva.com.br/valetudo), sobre Tim Maia, do escritor e produtor musical Nelson Motta. Lá é possível ouvir, nas versões originais, todas as músicas citadas na biografia, vídeos e um álbum de fotos do cantor desde bebê. Tem também uma seção, Tim e Eu, onde as pessoas contam as suas experiências com o cantor. “O site dá vida e brilho ao trabalho”, diz Motta. “Com ele o livro se torna muito mais interessante, acaba sendo uma ‘obra aberta’, sem hora para terminar”, conclui.

Há ainda autores que interagem de forma inédita com o seu público como, por exemplo, Paulo Coelho. Ele afirma passar diariamente cerca de três horas online interagindo com os seus leitores, que chegam a lhe enviar mais de mil e-mails por dia. Leia na página L7 entrevista com o brasileiro que mais vende livros em todo o mundo.

Para o escritor Fernando Morais – autor de Olga, Chatô – O Rei do Brasil e O Mago, o último justamente uma biografia de Paulo Coelho – a principal vantagem da web é a interação com o público. “Antes o autor não tinha um feedback do leitor”, diz Morais (www.fernandomorais.com.br). “A internet aproximou as pessoas.”

ALÉM DO PAPEL
E, para fechar, confira a entrevista com o editor de projetos digitais da editora inglesa Penguim, Jeremy Ettinghausen, que se uniu à empresa Six to Start, de games de realidade alternativa (ARG), para criar o projeto We Tell Stories (wetellstories.co.uk).

A iniciativa, apontada por muitos sites e blogs como inovadora, busca recontar seis clássicos da literatura, entre eles As Mil e uma Noites, usando recursos digitais e da internet. O objetivo é ir além do formato tradicional do livro de papel.

No Japão, país pioneiro na popularização de novas tecnologias, uma das febres atuais é a literatura feita para celulares.

Interessado em saber mais sobre a interação entre tecnologia e literatura? O Link preparou uma reportagem especial sobre o assunto. Boa leitura.

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Matéria de 11 de agosto de 2008 por @brunogalo