Quando Michael Jackson ‘salvou’ a indústria da música…

15 11 2010

…ou se hoje o ‘inimigo’ é a internet, ontem era a fita cassete

Não é segredo para ninguém que nos últimos anos as grandes gravadoras foram obrigadas a reinventar o seu modelo de negócios para sobreviver na era da música digital. E, a internet e as novas tecnologias são frequentemente apontadas como as grandes responsáveis pela – atual – crise. Atual, porque as crises na indústria fonográfica são na verdade uma constante.

No final da década de 70, início dos anos 80, foi a vez de uma outra tecnologia, a fita cassete – acredite –, ser apontada como “culpada” pela retração nas vendas. Em 1981, quando as vendas despencaram 11,4% (e havia rumores de que no ano seguinte a queda seria ainda maior), os grandes selos afirmaram que o seu ponto de vista havia sido, enfim, comprovado.

Mesmo antes, entretanto, a indústria musical já se esforçava para estigmatizar a prática crescente de se gravar músicas em fita cassete. O auge dessas ações se deu com uma vasta campanha de publicidade que incluía o uso de uma caveira em forma de fita cassete e a frase: “A gravação caseira está matando a música. E isto é ilegal”. Leia mais sobre essa campanha aqui e veja paródias aqui eaqui.

Como um estudo da Cap Gemini Ernst & Young, de 2003, afirmou, “em vez de tirar proveito dessa tecnologia nova e popular, as gravadoras lutaram contra ela”. Quer dizer, se hoje o “inimigo” é a internet, na época era a fita cassete. Entretanto, para muitos analistas a queda nas vendas era em grande parte resultado da estagnação criativa dos principais selos.

Disco mais vendido da história
Foi em meio a esse período de crise que, em novembro de 1982, Michael Jackson lançou seu álbum “Thriller”, que se tornou um sucesso instantâneo e até hoje desfruta do título de disco mais vendido da história, com cerca de 100 milhões de cópias. O principal segredo de Jackson para driblar a crise estava em uma nova ferramenta de divulgação que então emergia com a recém nascida MTV e que ele soube usar como ninguém, o videoclipe.

Billie Jean, primeiro vídeo de um artista negro a ser regularmente exibido na MTV

O álbum “Thriller” é considerado o primeiro que usou de forma consciente essa nova mídia de promoção. Na verdade, Michael transformou os videoclipes, que antes eram vídeos meio toscos, em superproduções feitas por diretores famosos. Para (re)ver outros clipes do rei do pop acesse a sua página oficial no YouTube aqui.

Graças à repercussão dos vídeos de Michael, a MTV que era uma pequena emissora de televisão a cabo se tornou muito popular. E, por sua vez, o sucesso da MTV foi fundamental para que a indústria fonográfica tivesse uma retomada recorde nos anos que se seguiram. Assim, o argumento da indústria rapidamente se esvaziou e o congresso norte-americano não chegou a aprovar qualquer restrição do uso das fitas cassete.

Logo, não demorou até que boa parte dos artistas copiasse Jackson e também fizessem clipes mais elaborados. Até hoje, os videoclipes são uma das principais ferramentas de divulgação de um artista de uma grande gravadora. Não por acaso, entre vídeos engraçadinhos e Susan Boyle, os clipes de artistas populares, como Rihanna, Lady Gaga, Britney Spears, aparecem frequentemente entre os vídeos mais vistos do YouTube.

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A importância de Michael Jackson para a indústria… do cinema

Leia original aqui.

Post publicado no blog do Link do Estadão em 2 de julho de 2009 por brunogalo

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Um dia, seu filho vai se sentir como você se sente

15 11 2010

Todas as crianças estão (ou querem estar) na internet e a usam com desenvoltura; daqui para a frente, elas devem transformar esse ambiente

“Se pudesse escolher, adoraria ser criança agora”, suspira o apresentador e blogueiro Marcelo Tas. Observador da relação dos pequenos com as novas tecnologias, ele se diz fascinado com as possibilidades de interação, participação e expressão do mundo atual. Para Tas, a linguagem da rede é muito parecida com o universo das crianças: fragmentado, espontâneo e não-linear pela própria natureza.”Ao contrário dos adultos, que são mais enquadrados pelos vícios e hábitos de linguagem, com os sentidos mais domesticados, as crianças estão abertas às (novas) experiências, sem preconceito”, defende.

Não por acaso, hoje, de um jeito ou de outro, as crianças estão – ou querem estar – na internet. A presença dos pequenos na rede é maciça e não para de crescer. Por aqui, de acordo com uma pesquisa da Turner Brasil Network do ano passado, 51% das crianças e jovens, entre 6 e 14 anos, acessam a web todos os dias. Segundo um estudo recente da Nielsen, nos Estados Unidos, enquanto o número total de usuários cresceu 10% entre 2004 e 2009, o de crianças, entre 2 e 11 anos, subiu 19%.

“Muita gente diz que a internet está nos tornando mais burros. De certa forma, isso é verdade. Desaprendi a decorar telefones, endereços, dados geográficos, datas. Mas tudo bem. Aprendi muitas outras coisas que compensam o que perdi”, diz o educador brasileiro Paulo Blinkstein. “Sempre foi assim na história da humanidade. Lembre-se que houve época que não havia escrita, e o que se valorizava era a memorização pura”, exemplifica.

“Enquanto o adulto vê a internet como um substantivo, a criança a vê como um verbo. Ou seja, uma ferramenta que permite a ela fazer o que deseja. E hoje, para formar uma frase, todos, não só as crianças, precisamos deste verbo”, acredita Volney Faustini, pesquisador da área. Para os pequenos, a tecnologia até parece invisível. O fascínio que elas despertam está muito mais nas suas possibilidades, do que nelas mesmas. Em suma, elas são um meio e não um fim em si. “O adulto é atraído pela ferramentas. A criança, pela história que elas contam”, analisa Tas.

Hoje, no entanto, pesquisar na internet, enviar e-mail, criar blog e postar vídeo no YouTube são coisas que as crianças já fazem e aprendem a fazer sozinhas. É preciso, portanto, estimulá-las a extrapolar esse modelo de publicação e de acesso a informação. Para Blinkstein, que é especialista no uso da tecnologia aplicada à educação, a disponibilidade instantânea de informação está tornando a educação tradicional cada vez mais obsoleta, deixando as crianças à deriva.

“Infelizmente, elas não aprendem a usar o seu tempo online para atividades mais profundas. A internet se vira só um passatempo, o que é trágico”, afirma. “Usar o computador como uma ferramenta de investigação cientifica profunda não é espontâneo, não se aprende sozinho. É preciso ter um professor muito bem preparado, materiais de qualidade e formas de avaliação aprofundadas. E, principalmente, a tecnologia permite centrar a educação no aluno, e não no professor”, explica Blinkstein.


INOVAÇÃO

Ah, sim. Se você chegou até aqui sem entender o porquê do título, responda: você já ficou surpreso – ou até mesmo assustado – com a desenvoltura e naturalidade que seu filho demonstra ao mexer com os equipamentos eletrônicos e o computador na sua casa? Fique tranquilo. Você não está sozinho e nem é o primeiro a ter essa impressão.

“Tudo que existe no mundo antes de nascermos é absolutamente natural. As novidades que surgem enquanto somos jovens são uma oportunidade e, com sorte, uma carreira a seguir. Tudo aquilo que aparece depois que você tem trinta anos, entretanto, é anormal, o fim do mundo como o conhecemos. Isso, até que tenhamos convivido com essa novidade por uns bons dez ou quinze anos, quando, enfim, ela começa a parecer normal”, definiu certa vez – e com rara precisão – Douglas Adams, autor inglês do livro O Guia do Mochileiro das Galáxias.

ENTREVISTA

URS GASSER, professor 

Urs Gasser é professor do centro de Internet e Sociedade da Universidade de Harvard e co-autor do livro Born Digital: Undestanding the First Generation of Digital Natives (Nascidos digitais: entendendo a primeira geração de nativos digitais), amplo estudo sobre aqueles que nasceram após 1980. No geral, o livro é otimista quanto ao futuro da internet, “importante para formar cidadãos globais com espírito de inovação e colaborativismo”, mas critica a falta de segurança dos dados das crianças na rede.

Afinal, o que é um nativo digital?Usamos esse termo em um sentido metafórico. Ele descreve a população de jovens nascidos depois dos anos 1980 e que teve acesso às tecnologias digitais de uma maneira significativa. São as crianças e os adolescentes de hoje, que não conseguem imaginar a vida sem o Google ou a Wikipedia. É importante destacar que nem todas as crianças hoje são nativas digitais, já que existe uma exclusão digital muito grande e nem todas têm a oportunidade (ou a habilidade) de participar do ciberespaço.

A relação da geração pós-Napster com as leis de copyright pode ajudar a atualizar as leis de direitos autorais?
A resposta da Justiça para a cultura de compartilhamento hoje é a repressão. Quando essas crianças envelhecerem, no entanto, essas leis se tornarão mais brandas e se adaptarão a essa nova lógica. A ascensão dos Partidos Piratas na Europa é o começo desse desenvolvimento.

A criatividade das crianças esbarra nos interesses da indústria?
Às vezes. Não sabemos se a internet vai continuar sendo a plataforma aberta que conhecemos hoje, possibilitando a cultura do remix e o compartilhamento, pois há forças significativas que defendem uma versão mais controlada da rede, por causa de seus interesses. Isso sim pode prejudicar a criatividade. Estamos em uma encruzilhada. Não sabemos se a arquitetura da internet continuará a mesma, mas foi ela que propiciou a parte boa da cultura digital.

Com tantas fontes, as crianças digitais são mais críticas com aquilo que consomem?
A criança média, não. Porém, vemos que quanto mais conectada, mais ela está predisposta a checar em mais de uma fonte. Descobrimos uma regra: Quanto mais conectada a criança, mais discernimento ela tem.

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Matéria de 12 de outubro de 2009 a seis mãos: @ana_freitas,@brunogalo@rafael_cabral





O futuro que os pequenos desenham hoje

15 11 2010

Como as crianças nascidas na era digital mudam tudo ao nosso redor

Comunicação
Falar e escrever no celular, usar comunicador instântaneo, ler sites e blogs: tudo isso vai contribuir para o desenvolvimento da inteligência comunicacional nas crianças. Apesar de alguns críticos dizerem que o uso de MSN pode afetar negativamente a capacidade dos pequenos de compreender expressões faciais, os educadores concordam que por causa da internet as crianças estão escrevendo e lendo mais. O caráter colaborativo da rede também incentiva a produção de conteúdo multimídia – teremos crianças escrevendo, gravando áudios e falando para a câmera cada vez mais cedo.

Cultura
O acesso a bens culturais, filmes, livros e músicas caminha para se tornar um serviço e não um produto específico. Para variar, é na música que este processo está mais avançado. Em 2008, 95% das músicas baixadas não tiveram direitos autorais pagos. Mas uma mudança na nossa relação com as canções está em curso neste momento. Em 2008, 52% dos jovens norte-americanos, entre 13 e 17 anos, preferiram ouvir músicas em sites de streaming gratuito, como MySpace, Pandora e Spotify, em que não se precisa baixar nada. Tudo é ouvido online.

Direito Autoral
Segundo uma pesquisa do canal Cartoon Network, duas em cada cinco crianças já trocaram arquivos pela web. Claro que isso muitas vezes esbarra na questão do copyright. Mas será que essa é uma noção que ainda será usada quando esses pequenos chegarem à vida adulta? Já nascidos digitais, eles são parte de uma geração acostumada à cultura do remix que foi popularizada com a internet e com sites como o pioneiro Napster. Para o pesquisador Urs Gasser, esse comportamento pode mudar não só as leis de direitos autorais, mas também redefinir o que é, afinal, ‘autoria’.

Política
Políticos estão percebendo a eficiência das ferramentas da web 2.0 para fazer campanha de um jeito diferente. Essas plataformas são dominadas pelos jovens, que por causa da troca rápida e multimídia de informações, têm capacidade maior de descobrir verdades e mentiras, se unir contra e a favor daquilo em que acreditam e apoiar candidatos e ideias com os quais se identificam. O primeiro exemplo desse novo engajamento aconteceu nas últimas eleições presidenciais norte-americanas: Barack Obama conseguiu levar às urnas milhões de jovens, num pleito em que o voto é facultativo.

Trabalho
No futuro as empresas serão menores, não existirá mais o conceito de carreira, os empregos vão acabar e o ócio criativo será total: trabalharemos só por prazer. Ao menos é isso que defende o professor Thomas Malone, especialista em trabalho do MIT. Pesquisas já mostram que os jovens estão batendo de frente com seus chefes por causa de diferenças culturais e de comunicação. E diante de funcionários acostumados a opinar livremente, não familiarizados com hierarquias e imposições, as estruturas empresariais serão forçadas a mudar drasticamente.

Cérebro
Pesquisas recentes em neurociência afirmam que a internet está mudando o cérebro das crianças. Apesar de o processo cognitivo que as leva a compreender melhor a linguagem digital ser plenamente entendido (é semelhante ao de aprender a língua mãe), ainda não se sabe exatamente como o uso da web vai mudar a massa cinzenta. De acordo com Gary Small, autor do livro iBrain, sobre as modificações que o cérebro está sofrendo com o uso da internet, fazer buscas no Google ativa uma área mais extensa do cérebro do que os pontos que são estimulados durante a leitura, por exemplo.

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Matéria de 12 de outubro de 2009 a seis mãos: @ana_freitas,@brunogalo@rafael_cabral





Computador não é o limite: YouTube quer TV e celular

30 08 2010

Cofundador do site que se tornou sinônimo de vídeos online, Chad Hurley veio ao Brasil na semana passada e afirma, categórico: “A internet vai matar a TV”

Quinta-feira, 27, no escritório do Google, em São Paulo, Chad Hurley, de 32 anos, co-fundador do YouTube, tem 30 minutos cronometrados para conversar com o Link. No País pela primeira vez, ele disse que veio para “estreitar os laços com o importante mercado brasileiro”.

Sentado no canto de uma sala de reunião, se reclina na cadeira enquanto mexe em um surrado iPhone. Curioso. Afinal, ele é funcionário do Google desde outubro de 2006, quando o gigante da busca pagou US$ 1,65 bilhão pelo então emergente site de compartilhamento de vídeos – e apenas um ano e meio após sua criação. E a companhia, em que trabalha (ele segue como principal executivo do YouTube), desenvolve um sistema operacional já disponível em alguns celulares, o Android. Logo, ele põe o aparelho sobre a imensa mesa que ocupa quase todo o espaço, com sua tela sensível ao toque virada para baixo.

Quer dizer, então, que ele prefere o celular da concorrência? Antes de chegarmos a este ponto, ele começa a falar sobre seus planos para melhorar sua posição no mercado de vídeo online. O YouTube é hoje praticamente sinônimo deste mercado e detém cerca de 70% do segmento, mas ainda não é um negócio rentável.

É difícil acreditar que o YouTube tenha só pouco mais de quatro anos. Nesse período, ele mudou por completo a forma como consumimos vídeo na internet, a ponto de ser difícil lembrar como era antes dele.

Mais importante: deixou de ser conhecido apenas pelos seus vídeos engraçadinhos e se tornou uma – senão a mais – poderosa ferramenta de divulgação e promoção no crescente mercado digital.

“A internet matará a televisão, não o YouTube”. A frase de efeito foi dita no dia anterior, em sua palestra na conferência Digital Age 2.0, que foi realizada em São Paulo na semana passada. “Nos próximos anos, quando todas as TVs estiverem ligadas à internet, a ideia de assistir a um programa no horário determinado pela emissora estará morta”, profetizou antes de dizer que a mídia TV só serviria para veicular eventos ao vivo.

Existe, entretanto, ao menos, um grande problema na trajetória meteórica de sucesso do YouTube. O site, que em sua origem chegou a ser comparado ao Napster, pioneiro na distribuição de conteúdo pela web (no caso, música), simplesmente não dá dinheiro.

Quando isso vai mudar? “Essa é uma grande questão”, sorri. “Mas há muito exagero no que sai na imprensa. Mesmo com a crise econômica, o último trimestre foi o melhor da nossa história”, diz, sem revelar números, o executivo que aposta em uma mistura entre vídeos amadores cada vez melhores e produções profissionais.

Para tornar o YouTube lucrativo, Hurley, que garante não sofrer qualquer tipo de pressão por parte do Google para reverter essa situação, aposta em diferentes modelos de negócio para diferentes tipos de conteúdo. Isso não quer dizer que o site passará a cobrar dos usuários, mas sim criar melhores formas de espalhar a publicidade, tornando-o mais atraente para os anunciantes, bem como servir como plataforma para a compra de alguns vídeos específicos. Dois dias antes, o YouTube havia anunciado que irá começar a compartilhar uma parte da sua receita de publicidade com os usuários que postarem os vídeos mais populares do site.

A iniciativa faz parte de uma estratégia do site para manter sua relevância a longo prazo. “Tenho orgulho do site que ajudei a construir, mas ainda temos bastante a fazer. A experiência de uso do YouTube é muito aleatória, trabalhamos para envolver mais o público, melhorando a interface com o usuário e oferecer uma experiência completa do site em outras plataformas cruzadas , como o celular e a TV”, afirma.

Perto do final da entrevista, a inevitável pergunta sobre seu celular da Apple. Desconfiado, diz: “O iPhone não é ruim. Já o Android ainda é novo e tem muitos fãs no YouTube”, diz. “Pessoalmente, estou sempre conectado, e o iPhone oferece uma experiência mais completa do que os modelos que possuem o Android.” E é um funcionário do Google que diz isso…

Aplicativos

2005
Geotagging, widget para blogs com vídeos de determinadas tags, vídeos públicos e privados e a função ?embedding? foram algumas das funções implantadas.

2006
O site apresenta a possibilidade de assinar RSS por categorias, melhora a busca, permite a personalização de perfis, cria a vídeo-resposta e a conta Director.

2007
Menus ficaram mais práticos e o espaço para vídeos, maior; além de integrar-se ao Google Maps.

2008
Surge a função de subir vídeos em HD, a ?página de confirmação de idade? antes dos vídeos considerados impróprios, as anotações e as legendas em vídeos.

2009
No ano do 3D, o YouTube não poderia ficar de fora. Agora, os usuários podem gravar e fazer upload de vídeos filmados com essa tecnologia.

Destaques

2005
O site é criado em fevereiro. O primeiro vídeo entra no ar em abril. E o serviço é lançado em novembro. Em um mês atinge marca de 3 milhões de vídeos vistos por dia.

2006
É comprado pelo Google por US$ 1,65 bilhão; site é citado como uma das empresas que consagraram a web 2.0 como a “pessoa do ano”, segundo a revista Time.

2007
Segue crescendo mas ano é morno, na opinião de Chad Hurley. O clipe de “Never Gonna Give You Up”, do cantor Rick Astley, torna-se uma pegadinha popular entre internautas.

2008
Vídeo “Yes We Can” feito com discursos de Barack Obama e protagonizado por várias personalidades torna-se um dos primeiros e marcos online da campanha presidencial do então candidato democrata.

2009
Susan Boyle torna-se uma celebridade mundial após ter sua participação em um programa de calouros inglês colocada no site. Uso político do site continua com um enxurrada de vídeos sobre a eleição no Irã.

Foto de Joi no Flickr.

Leia original aqui.

Perfil publicado no caderno do Link do Estadão em 31 de agosto de 2009 por@brunogalo





“Estamos deslumbrados com o avanço tecnológico. Não questionamos mais nada”, diz Fred 04, do Mundo Livre S/A

30 08 2010

Fred Zero Quatro é vocalista e líder da banda Mundo Livre S/A, que praticamente fundou junto com a Nação Zumbi o movimento mangue beat há 15 anos. A Mundo Livre S/A, que nasceu em 1984, despontou na cola do Nação, em 1994, com o disco ‘Samba Esquema Noise’. Atualmente, Fred trabalha também como assessor técnico da Secretaria da Cultura do Recife. Em entrevista, por e-mail e telefone, Fred se revela pessimista com relação ao futuro da música na era digital e critica o que ele de “um culto deslumbrado a qualquer tipo de avanço tecnológico”. O resultado dessa conversa, você confere aí embaixo:

“Uma coisa bacana do circuito atual (permitido pela internet), é que um artista ou banda com trabalho reconhecido e público fiel não precisa mais se mudar de mala e cuia de sua cidade, abandonar seus amigos e família, pra tocar sua carreira. Já tentei morar em Sampa, fiquei um ano na Vila Madalena, mas não me adaptei. Cresci comendo peixe frito e caranguejo na praia. Hoje a banda mora em Recife e consegue tocar a carreira, com uma agenda permanente de shows em todo o Brasil,” diz.

“Agora mesmo ganhamos de presente um clipe sensacional de um fã que mora em BH, nunca vimos o cara, que está se formando em um curso de design ou artes visuais, sei lá, com a música “Estela, A Fumaça do Pajé Mitisubixxi”. Ainda não lançamos oficialmente, precisamos da autorização da (gravadora) Deck, mas já tá repercutindo bem no YouTube. Isso é só um exemplo (de como artistas estabelecidos podem tirar proveito das novas tecnologias)”, conta.

“Acho que (a troca de arquivos na rede) é a polêmica mais importante do momento histórico atual, e infelizmente parece que ainda não tem despertado muito interesse no meio intelectual brasileiro. Muitos escritores americanos e europeus têm publicado ensaios importantes, levantando questões urgentes, mas aqui há uma espécie de vazio a respeito. Tenho me sentido como se tivéssemos regredido ao estágio tribal, e estivéssemos todos deslumbrados com os novos apetrechos mágicos (espelhos? pólvora? bússolas?) que o homem branco tem despejado nas vitrines dos nossos shopping centers. Não questionamos nada”, afirma.

E continua: “No meu tempo de faculdade (Fred é jornalista), Marshall McLuhan, Umberto Eco, Jean Baudrillard e outros chacoalhavam as mentes jovens do planeta com reflexões essenciais sobre a aldeia global, a cultura de massa, a sociedade de consumo, etc. Hoje o ambiente urbano parece mergulhado numa espécie de fundamentalismo, um culto deslumbrado a qualquer tipo de avanço tecnológico. Não sei de onde vem esse meu defeito, mas eu nunca consegui me conformar com esse tipo de visão de curto prazo. “Uau, que massa, agora eu posso assistir a todos os filmes, ler todos os jornais e baixar milhares de músicas de graça!”

“E as pessoas ainda acham que isso tem a ver com ‘atitude’. Sinceramente, acho paradoxal, justo num momento em que o viés da sustentabilidade alcança status de prioridade absoluta de toda e qualquer agenda global. Alguns fãs da banda começam a me questionar sobre isso na estrada, e eu respondo com uma pergunta simples: com o provável desaparecimento das gravadoras, quem você acha que vai bancar a produção / gravação / mixagem / masterização de nossas novas músicas? O desmantelamento da indústria teria, para os evangelizadores da web, um efeito altamente positivo na medida em que provocasse o fim da parada de sucessos. Será?”

“Agora o Radiohead anuncia algo previsível, que já vinha se delineando como uma tendência óbvia: não pretende mais lançar álbuns, apenas faixas avulsas. Muitos analistas já deduzem, a partir disso, que podemos estar diante da morte do trabalho conceitual ou experimental, ou seja, de agora em diante toda e qualquer música nova tem que ser um novo ‘hit’, pelo menos na web. Isso, para mim, é o equivalente, na música, do que representa o conceito de ‘junkie food’ para a nutrição e a gastronomia.”

“Pirataria é o mesmo que comer num restaurante fino e sair correndo sem pagar a conta. Você se ilude que está sendo um ‘outsider’ ou ‘wildboy’, mas só está mesmo sacaneando com o pobre do garçon”, afirma.

“Existe um movimento por aí intitulado MPB (música para baixar). Acho simplório e equivocado. Não tenho nada contra a pessoa ir para um show, gravar trechos numa câmera qualquer, ou mesmo num celular, depois postar na web. Aí se trata de uma versão caseira e amadora da música. Aliás, esse movimento, se chamasse MDPB (música demo pra baixar), por mim tudo bem. Lembro de quando eu costumava baixar versões demo de jogos e softwares, que eram disponibilizados gratuitamente. Se me interessasse pela versão completa, comprava.”

“Só mais uma coisa sobre a internet: acho que defender o fim da indústria fonográfica equivale a decretar a morte do rock&roll, pelo menos se considerarmos a definição mais clássica do gênero: “uma forma de se ganhar muito dinheiro, em pouquíssimo tempo e com muito estilo”(Malcom Mclaren). Claro, nem todo mundo ficava rico com o rock, mas os que ficavam financiavam a máquina e motivavam a molecada a largar tudo e arriscar”, conclui.

Leia original aqui.

Post publicado no blog do Link do Estadão em 5 de outubro de 2009 por @brunogalo





Por que as coisas não mudam? Lawrence Lessig e a corrupção institucional

30 08 2010

Lawrence Lessig foi professor de direito da Universidade de Stanford (atualmente, no entanto, conduz suas pesquisas em Harvard), criador da licença Creative Commons, e uma das maiores autoridades no mundo em direitos autorais na era digital. Autor de livros seminais sobre o momento que testemunhamos, como ‘Cultura Livre’ e ‘Remix’ (inédito no Brasil). Para ele, e inúmeros outros estudiosos, as leis de direitos autorais estão desatualizadas e precisam ser mudadas. E mais: os argumentos que sustentariam essa mudança já estão claros.

“Precisamos atualizar a lei para que ela faça sentido no mundo digital. É isso o que deve ser feito, ao invés dessa guerra extrema contra quem usa as tecnologias digitais”, defendeu Lessig, em entrevista ao Link, no início do ano. Afinal, quando boa parte das pessoas conectadas está na ilegalidade, de quem é a culpa? Para Lessig, a culpa é da lei.

Assim, o interesse público deveria prevalecer sobre o interesse da indústria de conteúdo. Algo, que inclusive, já aconteceu em inúmeras oportunidades no passado. Para ficar em poucos exemplos, basta citar o rádio e o fonógrafo. Apesar de tudo isso, as coisas hoje simplesmente não mudam. Pensando nisso, Lessig conduziu uma ligeira, mas extremamente importante, mudança de rota nos seus estudos. Atualmente, concentra seus esforços em entender e explicar o que ele chama de corrupção institucional ou indústria do lobby. Em sua opinião, é essa a raiz de inúmeros problemas/impasses aparentemente insolúveis, como a questão do direito autoral, mas não só.

No vídeo abaixo (em inglês), intitulado ‘Corrupção Institucional’, ele explica de forma extremamente clara todo este impasse, que, segundo Lessig, tem implicações em problemas tão díspares quanto o do meio ambiente e o da saúde pública. Vale uma espiada!

Leia original aqui.

Post publicado no blog do Link do Estadão em 24 de novembro de 2009 por @brunogalo





Porque a cultura não é gratuita, por Andrew Keen

30 08 2010

Andrew Keen é autor de ‘O culto ao amador’, manifesto contra o idealismo da web 2.0. Em setembro, quando esteve de passagem pelo Brasil, ele conversou com o ‘Link’. Leia aqui. Recentemente, Keen escreveu um ensaio intitulado ‘Porque a cultura não é gratuita’ para a ‘DGA Magazine’, revista do sindicato dos diretores de cinema norte-americano.

“Neste ensaio”, escreve a revista, “ele examina como a internet deu origem a uma revolta geracional que está mudando não só a economia da indústria cinematográfica, mas a maneira como o público percebe filmes. O resultado poderia ser uma cacofonia de conteúdo gerado pelo usuário, na qual artistas perdem a sua voz e seu sustento”.

No texto, Keen desfila críticas a jornalistas e pensadores que discordam dele, como Matt MasonLawrence Lessig, David Weinberger, Cory Doctorow, e elogios aqueles que compactuam com a sua visão, neste caso, apenas o diretorMilos Forman é citado. Leia alguns trechos do artigo, que você encontra na integra e em inglês aqui:

“Filmes podem mudar o mundo, mas hoje, na primeira década do século 21, as mudanças globais ameaçam mudar fundamentalmente os filmes. Hoje, há uma rebelião de pessoas de fora contra o sistema. E esta revolução digital é, em parte, uma rebelião contra o homem com a câmera de filmar. É a revolta de uma geração internet ingenuamente idealista contra a mídia tradicional”, afirma.

“Não é apenas a indústria de cinema, é claro, que a revolução digital desafia. Na verdade, essa revolução é um assalto fundamental sobre a autoridade de todos os meios de comunicação desde livros e jornais a música e filmes”, escreve.

“A grande maioria dos ladrões (é como ele se refere as pessoas que compartilham conteúdo na internet) não são heróicos visionários digitais. Eles estão baixando mais o último filme do ‘Harry Potter’ apenas para que eles não precisem pagar por ele”, afirma. E continua: “O que a revolução digital está realmente prometendo entregar são “baratos” e “sujos” vídeos online com audiências infinitesimal”.

Já perto do final do artigo, ele escreve: “acho que a indústria do cinema tem que pensar de forma mais criativa também, ao invés de confiar apenas no direito de controlar o incontrolável. Como afirmei anteriormente, a história do cinema é toda ligada a história da rebelião. E não há dúvida de que a revolução digital do século 21 roubou este manto de rebelião em um negócio de filme cada vez mais institucionalizado e conservador.”

Este último parágrafo é uma discreta crítica, um contraponto, em um longo e envolvente texto que parece feito para agradar aos seus leitores do sindicato dos diretores de cinema norte-americano.

Leia original aqui.

Post publicado no blog do Link do Estadão em 8 de dezembro de 2009 por @brunogalo