‘Todas as formas de entretenimento online são nossos concorrentes’

17 08 2010

E-books e audiobooks já são uma realidade antiga na editora Penguin, uma das mais tradicionais do Reino Unido, que a partir de setembro pretende sincronizar o lançamento de seus livros em papel com as versões para download. Por e-mail, Jeremy Ettinghausen, o editor de projetos digitais da editora, comentou sobre o futuro da literatura.

Qual o objetivo de vocês com o “We Tell Stories”?
Embora estejamos em um estágio inicial, já existem evidências de que o consumo de mídias digitais está alterando a forma como nos informamos e nos divertimos. O projeto We Tell Stories é uma tentativa de transferir as nossas habilidades em edição, marketing e distribuição de literatura do ambiente offline para o online.

São representativas as vendas de e-books e audiobooks?
Esse mercado é muito maior nos EUA do que no Reino Unido. Nossa filial americana registrou um aumento de 400% nas vendas de e-books em 2008. Já o mercado de audiobooks, principalmente para download, está em forte expansão.

Quais são as características de quem consome esses produtos?
Devido ao alto preço dos e-books readers, os primeiros adeptos da tecnologia são pessoas que lêem muito. Há uma evidência curiosa que mostra que as pessoas que gastam comprando um e-book reader acabam por comprar mais livros de papel. Já os audiobooks são usados principalmente em momentos nos quais a pessoa não poderia ler, como quando está dirigindo ou como uma alternativa à música. Audiobooks infantis são um forte ‘filão’.

As pessoas deixarão de ler livros em papel?
Acredito que todas as mídias irão, um dia, se tornar digitais, mas levará tempo. O mais interessante talvez é pensar como a mídia (incluindo os livros) evoluirá ao ser cada vez mais consumida digitalmente. Para a música, nós vimos o fim do álbum: o meio digital permite a compra apenas das faixas que você deseja. Mas é cedo para dizer como essa transição afetará os livros.

O que você espera para o futuro da Penguin?
As pessoas tendem a imaginar que as editoras apenas publicam livros. Na Penguin, temos consciência de que nossos concorrentes não são só do setor, mas também o YouTube, o MySpace, o Orkut, o iTunes, a Nintendo, etc. Ou seja, todas as formas de entretenimento online que as pessoas podem escolher para desfrutar durante o seu tempo de lazer. Iniciativas como o We Tell Stories e A Million Penguins talvez sirvam para mostrar como as editoras tradicionais estão atentas às mudanças tecnológicas, sociais e do entretenimento e como queremos ser parte dessa mistura.

LEIA TAMBÉM:
Será que o futuro do livro é multimídia?

Novo tipo de leitor está em formação, diz estudo

Kindle, da Amazon, inova, mas é barrado a não-americanos

Editoras brasileiras vão oferecer mais audiolivros

Editores temem disseminação da pirataria na web

‘A pirataria é sobretudo uma forma de divulgar o trabalho’

Busca-se uma nova forma de literatura

‘Todas as formas de entretenimento online são nossos concorrentes’

Leia original aqui

Matéria publicada por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 11 de agosto de 2008

Anúncios




Busca-se uma nova forma de literatura

17 08 2010

A editora inglesa Penguin cria projeto que usa ferramentas da web, como o Google Maps, para contar histórias

Blogueiros que se tornam autores. Escritores famosos, como João Ubaldo Ribeiro ou Mario Prata, que se aventuram pela web – ambos já escreveram livros pela rede. Ou até mesmo projetos como o da 20ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o Livro para Todos, são apenas alguns exemplos que mostram como a internet vem desempenhando um papel de destaque na revolução silenciosa que está criando novas formas de consumir e fazer literatura.

Porém, essas iniciativas acabam, em maior ou menor grau, sendo fiel ao modelo tradicional do livro de papel, que por sinal é o formato final desses trabalhos. Mas engana-se quem pensa que a literatura digital limita-se à criação ou reprodução de obras no formato papel.

Foi pensando em quebrar esse paradigma que a tradicional editora inglesa Penguin se uniu à empresa Six to Start, de games de realidade alternativa (ARG), para criar o We Tell Stories (wetellstories.co.uk). O projeto, que teve repercussão mundial, buscava recontar seis clássicos da literatura, entre eles As Mil e uma Noites, usando recursos digitais e da internet, como o Twitter e o Flickr, além de permitir ao leitor definir o rumo da trama, como, por exemplo, em Fairy Tales (conto de fadas).

“Queríamos criar algo inédito que usasse o máximo das possibilidades da internet e que não pudesse ser reproduzido no papel”, explica Jeremy Ettinghausen, editor de projetos digitais da editora.

A primeira história lançada, The 21 Steps (os 21 passos), por exemplo, é toda contada usando o Google Maps. Enquanto você acompanha a história de Rick, uma linha azul mostra os passos do personagem principal pelas ruas de Londres. “Escrever essa história, que foi pensada para ser lida online, foi um exercício fascinante”, conta o escritor escocês Charles Cumming, autor da adaptação de Os 39 Degraus, de John Buchan.

Ficou curioso? Vá até a página do projeto e descubra o por quê da última cena desse suspense online se passar no Rio de Janeiro. Todas as seis histórias – há uma sétima “escondida no site” envolvendo uma menina, chamada Alice, e um coelho – estão disponíveis gratuitamente, em inglês.

Para o jornalista e escritor Sergio Rodrigues, do blog Todo Prosa (www.todoprosa.com.br), o projeto “foi a iniciativa mais avançada na forma de misturar tantos recursos”. Rodrigues destaca entre as criações Your Place and Mine (o seu lugar e o meu). De autoria do casal Nicci Gerrard e Sean French, que trabalha em dupla e assina como Nicci French, o romance foi escrito ao vivo, durante cinco dias, uma hora por dia.

Em entrevista por e-mail, cinco dos autores do projeto disseram que iniciativas como o We Tell Stories não substituem a literatura tradicional e responderam à pergunta: o livro de papel vai morrer?

Entre as respostas: a mais pragmática foi a do inglês Toby Litt, de Slice (fatia). “O livro de papel sim. O livro, nunca.”

LEIA TAMBÉM:
Será que o futuro do livro é multimídia?

Novo tipo de leitor está em formação, diz estudo

Kindle, da Amazon, inova, mas é barrado a não-americanos

Editoras brasileiras vão oferecer mais audiolivros

Editores temem disseminação da pirataria na web

‘A pirataria é sobretudo uma forma de divulgar o trabalho’

Busca-se uma nova forma de literatura

‘Todas as formas de entretenimento online são nossos concorrentes’

Leia original aqui

Matéria publicada por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 11 de agosto de 2008





Será que o futuro do livro é multimídia?

16 01 2010

Às vésperas da Bienal do Livro, o Link entrevista editores, autores e leitores para saber como cada um deles veem a literatura na era digital

Cícero não abre mão do papel. Já Alessandro é um entusiasta dos e-books. Enquanto Carlos Alberto adora ler no PlayStation Portátil (PSP). E Nelson prefere seu Palm TX. Silvia, por sua vez, apaixonou-se pelo Kindle. E Laurentino gosta de “ouvir” um bom livro em seu iPod.

Todos têm em comum o amor pela literatura, mas cada um a consome por meio de uma tecnologia diferente. A mais antiga delas, o livro de papel, não dá sinais de esgotamento, como aconteceu com o CD. Mas, aos poucos, novas formas de ler e fazer literatura começam a ganhar força.

Apontada como incômoda por muitas pessoas, a leitura de livros em equipamentos eletrônicos não pensados para esse fim já é uma realidade. As pessoas lêem e-books no laptop, no Palm, no PSP e até no celular (o iPhone, por exemplo, possui um aplicativo para esse fim). Isso sem contar os audiobooks e os dispositivos específicos, os “e-books readers”, como o Kindle, da Amazon, e o Sony Reader.

“As pessoas se adaptam à mudança com uma velocidade muito grande. Enquanto o meio demora a percebê-la”, pondera José Alcides Ribeiro, professor do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP) e doutor em comunicação e semiótica. É uma revolução silenciosa. Mas que promete transformar o modelo de negócios das editoras. Aqui no Brasil elas parecem pouco se preocupar com essa nova realidade e afirmam que estão bem das pernas.

Aproveitando a 20ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começa na próxima quinta-feira, dia 14, no Anhembi, o Link foi conferir de perto como anda a relação entre literatura e tecnologia. Entrevistamos autores, editores, especialistas e pesquisadores, além, é claro, de pessoas que adoram ler.

E, por falar em Bienal, ela refletirá as possibilidades abertas pela web. Quem nos conta a novidade é Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que organiza o megaevento. “Criamos para essa edição o Livro de Todos (www.livrodetodos.com.br), com o objetivo de aproximar os internautas, especialmente os jovens, da leitura e da escrita, além de desmistificar a idéia de que internet e livros não combinam”, conta.

O projeto de criação coletiva feito pela web foi acessado por 14 mil pessoas entre os dias 16 de maio e 16 de junho. O resultado final, que contou com a colaboração de 173 autores, pode ser lido no próprio site. A versão em papel será lançada durante a Bienal.

APRENDER COM O ERRO ALHEIO
“A indústria do livro não pode repetir o erro da indústria fonográfica”, afirma o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor do best-seller 1808, que narra de forma jornalística a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, há 200 anos.

Mas, afinal, qual o erro a que Laurentino se refere? Em poucas palavras: subestimar a internet e as novas tecnologias. Nos últimos anos o mercado de música vem sendo obrigado a reinventar o seu modelo de negócio para sobreviver na era da música digital.

Para o diretor-geral da editora Ediouro, Luis Fernando Pedroso, ainda não é a hora de investir em e-books no País. E quando será o momento? “Esperamos estar atentos para identificá-lo”, diz. “Não acredito na leitura de livros tradicionais pelo computador ou celular”, afirma Pedroso, que prepara para a Bienal o lançamento de um novo selo de audiobooks.

Já o diretor-geral da editora Objetiva, Roberto Feith, afirma que “a venda de livros via download é uma possibilidade interessante, que no futuro não muito distante vai conquistar uma fatia do mercado”.

Enquanto, as editoras brasileiras estudam o melhor momento para entrar nesse filão, as gravadoras ainda hoje pagam o preço pela demora em abraçar o digital. Laurentino acredita que as editoras de livros estão de certa forma cometendo o mesmo erro. “Não é mais possível nos comunicarmos por uma única mídia, precisamos ser multimídia”, diz.

E como as editoras podem ser multimídias? Inúmeras são as possibilidades: de audiobooks e marketing na web a e-books e sites que complementam a experiência do leitor do livro de papel.

Um bom exemplo desse último caso é o site do livro Vale Tudo (www.objetiva.com.br/valetudo), sobre Tim Maia, do escritor e produtor musical Nelson Motta. Lá é possível ouvir, nas versões originais, todas as músicas citadas na biografia, vídeos e um álbum de fotos do cantor desde bebê. Tem também uma seção, Tim e Eu, onde as pessoas contam as suas experiências com o cantor. “O site dá vida e brilho ao trabalho”, diz Motta. “Com ele o livro se torna muito mais interessante, acaba sendo uma ‘obra aberta’, sem hora para terminar”, conclui.

Há ainda autores que interagem de forma inédita com o seu público como, por exemplo, Paulo Coelho. Ele afirma passar diariamente cerca de três horas online interagindo com os seus leitores, que chegam a lhe enviar mais de mil e-mails por dia. Leia na página L7 entrevista com o brasileiro que mais vende livros em todo o mundo.

Para o escritor Fernando Morais – autor de Olga, Chatô – O Rei do Brasil e O Mago, o último justamente uma biografia de Paulo Coelho – a principal vantagem da web é a interação com o público. “Antes o autor não tinha um feedback do leitor”, diz Morais (www.fernandomorais.com.br). “A internet aproximou as pessoas.”

ALÉM DO PAPEL
E, para fechar, confira a entrevista com o editor de projetos digitais da editora inglesa Penguim, Jeremy Ettinghausen, que se uniu à empresa Six to Start, de games de realidade alternativa (ARG), para criar o projeto We Tell Stories (wetellstories.co.uk).

A iniciativa, apontada por muitos sites e blogs como inovadora, busca recontar seis clássicos da literatura, entre eles As Mil e uma Noites, usando recursos digitais e da internet. O objetivo é ir além do formato tradicional do livro de papel.

No Japão, país pioneiro na popularização de novas tecnologias, uma das febres atuais é a literatura feita para celulares.

Interessado em saber mais sobre a interação entre tecnologia e literatura? O Link preparou uma reportagem especial sobre o assunto. Boa leitura.

LEIA TAMBÉM:
Será que o futuro do livro é multimídia?

Novo tipo de leitor está em formação, diz estudo

Kindle, da Amazon, inova, mas é barrado a não-americanos

Editoras brasileiras vão oferecer mais audiolivros

Editores temem disseminação da pirataria na web

‘A pirataria é sobretudo uma forma de divulgar o trabalho’

Busca-se uma nova forma de literatura

‘Todas as formas de entretenimento online são nossos concorrentes’

Leia original aqui ou aqui.

Matéria de 11 de agosto de 2008 por @brunogalo