Este garoto é o novo rei da internet

9 10 2010

Andrew Mason levou menos de dois anos para transformar o Groupon, site que iniciou a febre mundial das compras coletivas, na empresa de crescimento mais rápido da história – à frente de Google, Amazon e Facebook. Em entrevista exclusiva, ele fala sobre o sucesso repentino e seus planos para o Brasil

Não é todo dia que surge um negócio bilionário na internet. Na verdade, são bem raras essas datas. Ainda mais em um período tão curto de tempo. Fundado em novembro de 2008, o Groupon é a empresa com o crescimento mais rápido da história, segundo a revista Forbes, à frente da loja virtual Amazon, do Google, da rede social Facebook, e quem mais você imaginar. O site, que iniciou a febre mundial das compras coletivas, tem faturamento estimado, pelo banco Morgan Stanley, de mais de US$ 500 milhões neste ano. A marca do US$ 1 bilhão de receita deve ser rompido já em 2011. Feito que Google e Amazon levaram cinco anos para atingir. E o Facebook deve alcançar apenas este ano, o sexto após sua fundação. Já a Apple, criada por Steve Jobs em 1976, levou oito. À frente do Groupon, quem está desbancando toda essa turma de peso é um rosto ainda desconhecido do grande público, Andrew Mason, o garoto de 29 anos da foto abaixo.

Apesar do pouco tempo de vida, o Groupon (combinação das palavras “grupo” e “cupom”, em inglês) está presente em 30 países, inclusive no Brasil, operando cerca de 240 sites em diferentes cidades e com mais de 20 milhões de usuários cadastrados. O Groupon desembarcou no País em junho deste ano com o Clube Urbano. No final de outubro, será a vez do seu criador, Andrew Mason, aterrissar por aqui. O interesse pelo Brasil é fácil de ser entendido. “O seu País já é hoje um dos nossos cinco principais mercados, mas caminha para em breve ser o segundo maior”, disse Mason, em entrevista exclusiva à DINHEIRO. Um pouco mais complexo é explicar o fenômeno global criado por ele, o das compras coletivas, em que uma oferta só é válida se um número mínimo de compradores for atingido. No Brasil, o número de clones, sites que copiam o modelo criado por Mason, se aproxima de 40. No mundo, eles já são mais de mil.

Andrew conta que queria apenas conhecer lugares bacanas na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, onde ele morava. E, é claro, não gastar muito dinheiro. Corria o ano de 2008 e a eclosão da crise financeira mundial desanimaria muitos empreendedores. Mas não o jovem Andrew, então com 27 anos. Aquele momento conturbado se revelaria ideal para o Groupon começar. Ao oferecer promoções diárias com descontos que podem chegar a 90% em restaurantes, salões de beleza, hotéis, clínicas de estética, academias, shows, teatros, bares, etc., o site capturou com rara precisão os anseios e o estado de espírito de um consumidor mudado pela crise. “As pessoas se tornaram muito mais cautelosos e menos gastadores”, disse à DINHEIRO Martin Lindstrom, autor dinamarquês de A Lógica do Consumo, escolhido pela revista Time, em 2009, uma das 100 pessoas mais influentes do planeta. Mas esse é apenas um lado da moeda.

O sucesso do Groupon guarda ainda semelhanças com o do Google. Toda vez que a palavra “advogado”, por exemplo, é buscada no Google, um anúncio pago de um escritório de advocacia surge entre ou ao lado dos resultados. Isso permitiu que milhões de pequenos negócios pudessem anunciar seus produtos e serviços por meio do gigante das buscas. Não é por acaso, que a maior parte da receita de US$ 23 bilhões da Google venha justamente desses anúncios. Já o Groupon consegue atender desde grandes corporações, que querem girar seus estoques, até pequenos empreendimentos com orçamentos de marketing limitados. Oferecendo a eles um canal de vendas e divulgação. “Nunca houve nada, seja rádio, televisão, jornais ou o Google, tão eficiente em atrair novos consumidores como nós”, afirma, sem modéstia, Mason. “Somos a melhor forma de divulgação para um pequeno negócio a surgir até hoje”, conclui. A julgar pela fila de espera formada por mais de 40 mil empresas em todo o mundo e os vistosos resultados alcançados pelo site e seus parceiros, ele parece ter razão.

O Groupon fica em média com 50% do total arrecadado por cada promoção. Apenas uma oferta feita no dia 19 de agosto deste ano com a cadeia de lojas de roupas Gap em 85 cidades nos Estados Unidos gerou uma receita estimada de US$ 5,5 milhões para a empresa. No Brasil, uma oferta de um restaurante japonês em Campinas, no interior de São Paulo, chamado ClickSushi, atraiu quase 8 mil interessados, gerando uma receita estimada de R$ 70 mil para o Clube Urbano, que tem mais de 600 mil usuários cadastros.

Apesar de pioneiro e da presença global, o Groupon não foi o primeiro em nossas terras e mares. O Peixe Urbano aportou por aqui em março e desde então já amealhou mais de 1 milhão de usuários. Uma bem sucedida e surpreendente oferta do site aconteceu no Rio de Janeiro. Mais de 3 mil pessoas se interessaram por um passeio de jipe pela Floresta da Tijuca oferecido pela empresa Jeep Tour. Uma promoção que gerou mais de R$ 60 mil para o site. Além dos já citados, ClickOn e Imperdível são outros dos sites mais usados do gênero no País. “A velocidade com que as compras coletivas vem crescendo no Brasil nos surpreendeu”, afirma Julio Vasconcellos, um dos fundadores do Peixe Urbano. O grande número de sites espalhados por 25 cidades do País atraiu até empresas estabelecidas na internet brasileira e fez surgir os agregadores de ofertas, como o ApontaOfertas, ligado ao site de geolocalização Apontador, e o SaveMe, comprado recentemente pelo comparador de preços BuscaPé. “Esse é um mercado em franco crescimento no Brasil e não podíamos ficar de fora”, disse Romero Rodrigues, presidente do BuscaPé.

Em poucos meses, os sites de compras coletivas saíram do zero e já somam mais de 5 milhões de visitantes únicos no País. As lojas de varejo online, como Submarino, Waltmart e Livraria Saraiva recebem 24 milhões de internautas por mês e movimentaram apenas no primeiro semestre deste ano mais de R$ 7,8 bilhões, crescimento de 41%. “É um novo modelo de e-commerce que veio para ficar”, resume Gerson Rolim, diretor da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.

Uma outra lição deixada pelo Groupon está no seu potencial viral, em que os próprios usuários são estimulados a fazer a propaganda e divulgação das promoções – e do próprio site -, sem custos para a empresa. Afinal, as ofertas só são válidas se atingirem um número mínimo de interessados. “O brasileiro é o que mais compartilha as promoções por meio das redes sociais no mundo”, conta o alemão Florian Otto, presidente do Clube Urbano.

A expansão internacional do Groupon teve início em maio com a aquisição do clone europeu CityDeal. Apenas um mês apôs o fundo russo de investimentos Digital Sky Technologies, que mantêm participação no Facebook e na Zynga, de jogos sociais, adquirir 10% da empresa pela bagatela de US$ 135 milhões. A transação elevou o valor de mercado do Groupon a incríveis US$ 1,35 bilhão. A única empresa a superar a marca de US$ 1 bilhão em valor de mercado mais rápido foi o site de vídeos YouTube, que desde 2006 pertence ao Google, mas a despeito do grande número de usuários ainda não dá lucro. Diferente de muitas companhias surgidas na internet nos últimos anos, como o microblog Twitter e o próprio YouTube, o Groupon possui um modelo de negócios claro e eficiente. Mas também fortemente enraizado no mundo real e fácil de ser copiado. O que acabou despertando muita concorrência.

Andrew, no entanto, não parece se incomodar. “Continuar inovando é uma obsessão para nós”, afirma. Para ele, a demanda das empresas tem sido muito maior do que o Groupon pode suportar atualmente. O que explicaria o grande número de concorrentes. Para resolver esse problema, o Groupon está testando um modelo de ofertas personalizadas, que vai permitir a empresa oferecer um número maior de promoções diferentes em um mesmo dia, em uma mesma cidade. Outro caminho está na divisão de grandes cidades, com diferentes ofertas para cada região. “Somos a empresa que finalmente abriu as portas do e-commerce para milhares de pequenos negócios locais. E estamos apenas no começo”, afirma. De fato, apesar da largada impressionante, Mason ainda tem um longo percurso até colocar sua empresa no hall de gigantes, como Apple, Google e Amazon.  Fortalecer a marca Groupon em todo o mundo é só um dos primeiros desafios. Para isso, até o fim do ano, por exemplo, o nome Clube Urbano deve ser aposentado por aqui. Mas e sobre os clones? “Diga a eles que não nos contentaremos em ser o nº 2”.

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“Mantenha as coisas simples”

A união faz a força

Leia original aqui.


Matéria publicada por @brunogalo na revista ISTOÉ Dinheiro de 4 de outubro de 2010





“Mantenha as coisas simples”

9 10 2010

Eis a principal lição de Andrew Mason, fundador e CEO do site de compras coletivas Groupon, a nova forma de comércio eletrônico que se espalhou pelo mundo

Você pode até não conhecê-lo ainda, mas vai ouvir falar dele e de sua empresa cada vez mais daqui para frente. Em tempo recorde, Andrew Mason ergue um negócio bilionário. Fundado em novembro de 2008, o Groupon, site que iniciou a febre mundial das compras coletivas, é a empresa de crescimento mais rápido da história – à frente de Google, Amazon e Facebook. Já em valor de mercado, a única empresa a superar a marca de US$ 1 bilhão mais rápido que o Groupon foi o YouTube, que desde 2006 pertence ao Google, mas a despeito do grande número de usuários ainda não dá lucro. Diferente de muitas companhias surgidas na internet nos últimos anos, como o Twitter e o próprio YouTube, o Groupon possui um modelo de negócios claro e eficiente.

Mason que se descreve como um “típico geek recluso” cresceu no subúrbio de Pittsburgh, perto de Chicago. Aos 6 anos, ele começou aulas de piano e até os 20 poucos queria seguir a carreira musical. Programador autodidata, ele lançou em novembro de 2007 um site chamado The Point que era para fazer petições online e angariar apoio para todos os tipos de causas. O site fez algum barulho, mas não era rentável. Foi quando ele começou a madurar a ideia do Groupon. Em entrevista exclusiva, Mason, de 29 anos, fala sobre o sucesso inesperado, os planos para o Brasil e a importância de manter as coisas simples nos negócios.

DINHEIRO – Qual a sua opinião sobre os mais de mil sites no mundo que copiaram o modelo que você criou?
MASON – Não tenho nada contra os nossos clones no geral. Em muitos países, eles estão contribuindo para divulgar nosso modelo. As pessoas à frente de alguns deles são empreendedores apaixonados. E eles podem virem a se tornar nossos parceiros. Estamos nos espalhando pelo mundo rapidamente e em alguns países comprar um site já estabelecido pode ser o melhor caminho. Fizemos isso na Europa, no Japão, no Chile e na Rússia, por exemplo.

DINHEIRO – Mas não no Brasil. Por que?
MASON – Não acreditávamos que havia um líder estabelecido no seu País. E acho que estávamos certos. Em poucos meses já temos mais de 600 mil usuários cadastrados no Brasil.

DINHEIRO – Como o Groupon espera se consolidar como líder global de compras coletivas?
MASON – O mais importante é focar em acordos de grande qualidade e estabelecer boas parcerias com os melhores negócios em cada país e cidade. É isso que vai determinar nosso sucesso. É importante também tentar entender por que há tantos clones. Primeiro, não há uma grande diferenciação entre o que oferecemos e nossos concorrentes. Mas outro aspecto é que ao oferecermos apenas uma oferta por dia não damos conta de atender todos os negócios interessados. Estamos nos tornando uma marca global e as melhores marcas vão continuar querendo trabalhar conosco.

DINHEIRO – Quais os seus planos específicos para o Brasil?
MASON – Crescer o Groupon para mais cidades e regiões. Há muitas grandes áreas urbanas no Brasil. Continuar inovando é uma obsessão para nós. E vamos oferecer promoções personalizadas de acordo com o perfil de cada usuário. É algo que já começamos nos Estados Unidos. O seu País já é hoje um dos nossos cinco principais mercados, mas caminha para em breve ser o segundo maior. O usuário brasileiro é muito social e a velocidade com que estamos crescendo no Brasil é maior que em qualquer outro país no mundo.

DINHEIRO – O número de sites de compras coletivas no Brasil se aproxima de 40 e ao menos dois são fortes concorrentes ao Clube Urbano. Qual o seu recado para eles?
MASON – Diga a eles que não nos contentaremos em ser o número 2. Não posso revelar valores, mas estamos investindo de forma agressiva no Brasil. No final de outubro irei conhecer ao seu Pais ajudar nossa equipe local.

DINHEIRO – Qual o papel do Groupon na evolução do comércio eletrônico?
MASON – Somos a empresa que finalmente abriu as portas do e-commerce para milhares de pequenos negócios locais. E estamos apenas no começo. Acreditamos que temos o potencial de mudar a maneira como as pessoas se relacionam e compram em negócios locais assim como a Amazon mudou a maneira como as pessoas compras produtos e bens duráveis. Acho que estamos no caminho.

DINHEIRO – Mas como nasceu a ideia do Groupon?
MASON – Meu objetivo era oferecer uma maneira das pessoas – eu inclusive – descobrir lugares bacanas para ir na sua cidade. Sou um típico geek recluso que fica na frente do computador todo o tempo. E toda festa de final de ano, eu pensava sobre as coisas que não havia feito naquele ano, as experiências que não tinha tido. Seja pelo alto preço ou por não ter certeza se seria legal. O Groupon é um incentivo para levantarmos do sofá e experimentarmos algo excitante em nossas cidades e com as pessoas que gostamos. Mas a grande surpresa para mim foi o imenso apetite dos pequenos negócios por novos consumidores. E isso foi essencial para o nosso sucesso. Atendemos aos anseios dos consumidores, mas também dos estabelecimentos. 97% das empresas querem fazer novas ofertas conosco.

DINHEIRO – O Groupon está avaliado em mais de US$ 1 bilhão, onde vocês podem chegar?
MASON – Nos Estados Unidos, 80% do dinheiro gasto pelas pessoas é na sua vizinhança. Portanto, é uma grande oportunidade. E estamos focados em melhorar nossa plataforma para aproveitar esse que considero um dos maiores negócios ainda em desenvolvimento no mundo. O mercado de compras coletivas será ainda maior do que podemos imaginar. Nunca houve nada, seja rádio, televisão, jornais ou o Google, tão eficiente em atrair novos consumidores como nós. Somos a melhor forma de propaganda para um negócio local até hoje.

DINHEIRO – Mas como continuar relevante no futuro?
MASON – O próximo passo para nós é tornar a experiência mais relevante e recompensadora. Durante os últimos meses desenvolvemos um algoritmo capaz de oferecer promoções personalizadas. Mas não podemos perder a capacidade de surpreender os usuários. Esse é um grande desafio.

DINHEIRO – E qual o maior fraqueza do Groupon?
MASON – Acredito que é a incapacidade de oferecer mais de uma promoção por dia. E a demanda dos negócios locais é muito grande. Temos mais de 40 mil estabelecimentos na fila. Esperando para anunciar seus produtos e serviços. As ofertas personalizadas vão permitir oferecermos um número maior de promoções diferentes em um mesmo dia, em uma mesma cidade. Outro caminho está na divisão de grandes cidades, com diferentes ofertas para cada região.

DINHEIRO – Houve dificuldade em obter investimentos no começo do site?
MASON – Conseguir investidores interessados em participar do nosso projeto nunca foi um obstáculo. O maior desafio no começo foi provar que o nosso negócio era bom e funcionava. Encontrar parceiros dispostos a experimentar algo inovador nem sempre fácil. Mas em algumas semanas o negócio decolou.

DINHEIRO – Você tem planos de abrir o capital do Groupon?
MASON – Não temos planos de entrar na bolsa. Eu nunca me considerei um empresário antes do Groupon. Eu gosto de construir coisas e meu objetivo agora é apenas melhorar o serviço.

DINHEIRO – Qual a lição mais importante que você aprendeu com o Groupon?
MASON – Mantenha as coisas simples. Antes do Groupon tinha uma outra empresa de internet chamada The Point uma plataforma online para fazer petições e angariar apoio para todos os tipos de causas. Ela era complicada e as pessoas não a usavam ou entendiam bem. Encontrar a essência do seu negócio e garantir que qualquer um possa entende-lo em poucos segundos. Foi isso que busquei fazer com o Groupon. E acredito que se conseguir fazer isso às chances de sucesso serão sempre muito maiores.

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A união faz a força

 

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Entrevista publicada por @brunogalo na revista ISTOÉ Dinheiro de 4 de outubro de 2010





“Estamos deslumbrados com o avanço tecnológico. Não questionamos mais nada”, diz Fred 04, do Mundo Livre S/A

30 08 2010

Fred Zero Quatro é vocalista e líder da banda Mundo Livre S/A, que praticamente fundou junto com a Nação Zumbi o movimento mangue beat há 15 anos. A Mundo Livre S/A, que nasceu em 1984, despontou na cola do Nação, em 1994, com o disco ‘Samba Esquema Noise’. Atualmente, Fred trabalha também como assessor técnico da Secretaria da Cultura do Recife. Em entrevista, por e-mail e telefone, Fred se revela pessimista com relação ao futuro da música na era digital e critica o que ele de “um culto deslumbrado a qualquer tipo de avanço tecnológico”. O resultado dessa conversa, você confere aí embaixo:

“Uma coisa bacana do circuito atual (permitido pela internet), é que um artista ou banda com trabalho reconhecido e público fiel não precisa mais se mudar de mala e cuia de sua cidade, abandonar seus amigos e família, pra tocar sua carreira. Já tentei morar em Sampa, fiquei um ano na Vila Madalena, mas não me adaptei. Cresci comendo peixe frito e caranguejo na praia. Hoje a banda mora em Recife e consegue tocar a carreira, com uma agenda permanente de shows em todo o Brasil,” diz.

“Agora mesmo ganhamos de presente um clipe sensacional de um fã que mora em BH, nunca vimos o cara, que está se formando em um curso de design ou artes visuais, sei lá, com a música “Estela, A Fumaça do Pajé Mitisubixxi”. Ainda não lançamos oficialmente, precisamos da autorização da (gravadora) Deck, mas já tá repercutindo bem no YouTube. Isso é só um exemplo (de como artistas estabelecidos podem tirar proveito das novas tecnologias)”, conta.

“Acho que (a troca de arquivos na rede) é a polêmica mais importante do momento histórico atual, e infelizmente parece que ainda não tem despertado muito interesse no meio intelectual brasileiro. Muitos escritores americanos e europeus têm publicado ensaios importantes, levantando questões urgentes, mas aqui há uma espécie de vazio a respeito. Tenho me sentido como se tivéssemos regredido ao estágio tribal, e estivéssemos todos deslumbrados com os novos apetrechos mágicos (espelhos? pólvora? bússolas?) que o homem branco tem despejado nas vitrines dos nossos shopping centers. Não questionamos nada”, afirma.

E continua: “No meu tempo de faculdade (Fred é jornalista), Marshall McLuhan, Umberto Eco, Jean Baudrillard e outros chacoalhavam as mentes jovens do planeta com reflexões essenciais sobre a aldeia global, a cultura de massa, a sociedade de consumo, etc. Hoje o ambiente urbano parece mergulhado numa espécie de fundamentalismo, um culto deslumbrado a qualquer tipo de avanço tecnológico. Não sei de onde vem esse meu defeito, mas eu nunca consegui me conformar com esse tipo de visão de curto prazo. “Uau, que massa, agora eu posso assistir a todos os filmes, ler todos os jornais e baixar milhares de músicas de graça!”

“E as pessoas ainda acham que isso tem a ver com ‘atitude’. Sinceramente, acho paradoxal, justo num momento em que o viés da sustentabilidade alcança status de prioridade absoluta de toda e qualquer agenda global. Alguns fãs da banda começam a me questionar sobre isso na estrada, e eu respondo com uma pergunta simples: com o provável desaparecimento das gravadoras, quem você acha que vai bancar a produção / gravação / mixagem / masterização de nossas novas músicas? O desmantelamento da indústria teria, para os evangelizadores da web, um efeito altamente positivo na medida em que provocasse o fim da parada de sucessos. Será?”

“Agora o Radiohead anuncia algo previsível, que já vinha se delineando como uma tendência óbvia: não pretende mais lançar álbuns, apenas faixas avulsas. Muitos analistas já deduzem, a partir disso, que podemos estar diante da morte do trabalho conceitual ou experimental, ou seja, de agora em diante toda e qualquer música nova tem que ser um novo ‘hit’, pelo menos na web. Isso, para mim, é o equivalente, na música, do que representa o conceito de ‘junkie food’ para a nutrição e a gastronomia.”

“Pirataria é o mesmo que comer num restaurante fino e sair correndo sem pagar a conta. Você se ilude que está sendo um ‘outsider’ ou ‘wildboy’, mas só está mesmo sacaneando com o pobre do garçon”, afirma.

“Existe um movimento por aí intitulado MPB (música para baixar). Acho simplório e equivocado. Não tenho nada contra a pessoa ir para um show, gravar trechos numa câmera qualquer, ou mesmo num celular, depois postar na web. Aí se trata de uma versão caseira e amadora da música. Aliás, esse movimento, se chamasse MDPB (música demo pra baixar), por mim tudo bem. Lembro de quando eu costumava baixar versões demo de jogos e softwares, que eram disponibilizados gratuitamente. Se me interessasse pela versão completa, comprava.”

“Só mais uma coisa sobre a internet: acho que defender o fim da indústria fonográfica equivale a decretar a morte do rock&roll, pelo menos se considerarmos a definição mais clássica do gênero: “uma forma de se ganhar muito dinheiro, em pouquíssimo tempo e com muito estilo”(Malcom Mclaren). Claro, nem todo mundo ficava rico com o rock, mas os que ficavam financiavam a máquina e motivavam a molecada a largar tudo e arriscar”, conclui.

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Post publicado no blog do Link do Estadão em 5 de outubro de 2009 por @brunogalo





Quais os riscos das redes sociais para as empresas e como lidar com eles

27 08 2010

Resposta instantânea com a brasileira Patricia Peck, sócia-fundadora da Patricia Peck Pinheiro Advogados e autora do livro Direito Digital (Editora Saraiva) entre outros títulos

Quais os riscos das redes sociais para as empresas?
São inúmeros, assim como as oportunidades. Entre os exemplos negativos destaco os casos de funcionários que publicaram informações sigilosas em sites, até operadores de call center que montaram blogs com as dúvidas dos clientes que eles consideravam como as mais engraçadas. Um completo desrespeito.


Proibir o uso desses sites nas empresas é a solução?
Não adianta absolutamente nada. Afinal, os funcionários vão usá-los fora da empresa, ou até mesmo por meio dos seus celulares e notebooks dentro da companhia. Além disso, cada vez mais, essa vai ser uma questão importante na hora de o funcionário escolher a corporação em que quer trabalhar. Aquelas que proíbem seu uso podem até perder funcionários.

Qual o caminho que as empresas devem seguir?
As empresas precisam estabelecer manuais de conduta online, com as melhores práticas. A máxima do “quem cala consente” é verdade na internet. Por isso, as companhias precisam ensinar o uso ético e legal desses espaços, o que pode e o que não pode ser feito. Essa é uma questão de sobrevivência para as empresas.

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Entrevista publicada por @brunogalo na revista ISTOÉ Dinheiro de 20 de agosto de 2010





“O neuromarketing é uma revolução genuína para os negócios”

21 08 2010

Não é incomum o dinamarquês Martin Lindstrom (foto), de 40 anos, ser confundido com um jovem. Algo plenamente justificado em virtude das suas feições pueris. Mas o mal-entendido logo se desfaz quando ele, que é um dos mais respeitados consultores de marcas do mundo, começa a falar. Lindstrom foi escolhido pela revista Time, em 2009, uma das 100 pessoas mais influentes do planeta. Com uma lista de clientes como McDonald’s, Nestlé, Nokia e Microsoft, ele atualmente roda o mundo para atender empresas e falar sobre seu último livro A Lógica do Consumo (Buyology, na versão em inglês), em que mergulha na neurociência para descobrir por que afinal compramos algo – ou não. Ele que passa mais de 300 dias por ano longe da sua casa na Austrália, vem ao Brasil falar em um seminário da HSM no final de agosto. Em entrevista exclusiva à DINHEIRO, Lindstrom explica a relação entre marcas e religião e por que, na sua visão, o neuromarketing é uma revolução para empresas, anunciantes e até consumidores.

DINHEIRO – Qual é a lógica do consumo?
MARTIN LINDSTROM – A ideia principal por trás do meu livro é que todos somos consumidores e que quando fazemos algo, seja lá o que for, inclusive comprar, somos, em 85% das vezes, movidos por emoções, medos, pensamentos, necessidades, inseguranças, motivações e desejos subconscientes. Entender essas múltiplas forças que nos motivam a comprar ou não é o que chamo de lógica do consumo.

 

DINHEIRO – Foi por isso que decidiu estudar o cérebro dos consumidores?
LINDSTROM – Como consultor de branding (construção de marcas), estava obcecado por descobrir por que preferimos um determinado chocolate ou refrigerante, um certo modelo de carro ou computador, uma dada marca de roupa ou perfume ou um tipo de xampu ou creme de barbear. E percebi que os métodos tradicionais de pesquisa como observação e entrevistas não estavam funcionando. O problema é que nosso vocabulário é insuficiente para expressar sensações muito interiores. Então, imaginei que essa resposta teria que estar no nosso cérebro. E logo percebi que o neuromarketing, um intrigante casamento entre marketing e ciência, era a janela para a mente dos consumidores que tanto procurava. E descobri, que no fundo, somos ou queremos ser aquilo que compramos.

DINHEIRO – Mas como exatamente o neuromarketing captura a atividade cerebral? E como a associa as marcas?
LINDSTROM – Usamos principalmente um aparelho de ressonância magnética. Ele nos permite examinar o cérebro dos consumidores. Ao fazer isso, os neurocientistas podem determinar quais áreas específicas do cérebro estão trabalhando em um dado momento. E a partir de uma série de estudos anteriores, conseguimos identificar o que as pessoas sentem quando pensam ou vêem uma determinada marca ou produto. Isso é possível, pois já sabemos quais são as regiões do cérebro associadas a certos sentimentos, por exemplo.

DINHEIRO – E o que o estudo do cérebro dos consumidores revelou?
LINDSTROM – Muitas coisas. Para começar descobrimos que os consumidores são seduzidos pelos sentidos, muito mais do que imaginávamos. E a audição é o sentido que mais ativa o cérebro das pessoas. Isso é completamente novo. Aprendemos ainda que cada vez mais empresas vão apelar a referências religiosas e simbólicas para fortalecer suas marcas. E o melhor exemplo disso é a Apple, com seus rituais misteriosos, o lançamento de cada novo produto, ou ainda seus templos, as suas próprias lojas, e seu guru, Steve Jobs. Para muitas pessoas, a Apple é realmente como uma religião. Mas outras marcas como Harley Davidson e Disney também tentam fazer isso. Há também, acredito, ao menos, um exemplo brasileiro, a Natura. Ela criou todo um movimento em torno da sua marca, com algumas dezenas de milhares de mulheres vendendo os seus produtos em todo o País.

DINHEIRO – Fale mais sobre a relação entre marcas e religião. Como o senhor chegou a essas conclusões?
LINDSTROM – A pesquisa provou que, quando algumas pessoas quando expostas a marcas ou produtos como iPod, Ferrari, Nike, Guinness e Absolut, têm as mesmas emoções geradas por símbolos religiosos como cruzes, rosários, Buda, a Virgem Maria ou a Bíblia. Isso vai depender, é claro, da crença e fé de cada um. Além disso, essas marcas usam pilares das principais religiões, como rituais, um inimigo, visão clara, símbolos, mistério, apelo sensorial, grandiosidade e uma forte narração de histórias.

DINHEIRO – E por que a audição é tão importante para as marcas?
LINDSTROM – Apesar de estarmos cada vez mais rodeados por tela ou talvez justamente por isso, quando olhamos algo apenas a parte visual do nosso cérebro é ativada. Mas quando escutamos algo, todas as regiões ligadas aos cinco sentidos são ativadas. É por isso que, quando ouvimos uma música da nossa infância, por exemplo, nos voltam a mente tantas recordações visuais. São, sem dúvidas, descobertas revolucionárias para os negócios. A Intel, por exemplo, construiu sua marca em torno de um microjingle, que todos associamos a ela. Já a Microsoft compôs uma melodia que é tocada toda vez que ligamos ou desligamos o computador. E há muitos outros exemplos inesquecíveis de sons associados a marcas.

DINHEIRO – O senhor poderia explicar melhor por que considera o neuromarketing uma revolução para os negócios?
LINDSTROM – Primeiro, as pessoas devem entender que o neuromarketing não é um modismo. Há alguns céticos, é verdade, mas uma boa parte das maiores empresas norte-americanas já estão tirando proveito dessas técnicas de alguma forma. É algo que está se desenvolvendo muito rapidamente e veio para ficar. O neuromarketing é uma revolução genuína para os negócios. Afinal, temos hoje condição de entender o que acontece no nosso cérebro quando somos expostos a uma propaganda, marca ou produto. O cérebro não é mais uma caixa-preta. E isso é bom não só para as empresas, mas para os consumidores também. Quanto mais as empresas souberem a respeito das nossas necessidades e desejos subconscientes mais produtos úteis e significativos elas introduzirão no mercado. Reduzindo o número de fracassos. O mesmo vale para os anunciantes. E nós ao entendermos melhor o nosso comportamento irracional, vamos ter mais controle, e não menos sobre as nossas decisões de compra.

DINHEIRO – O senhor poderia citar mais alguns exemplos interessantes ou curiosos de empresas que entenderam a importância do neuromarketing?
LINDSTROM – Em algumas das suas atrações, a Disney já escaneou o cérebro das pessoas enquanto elas estavam naquelas imensas filas. Com isso a Disney queria desenvolver novas formas de diverti-las, para que elas não se sentissem como se estivem perdendo tempo e mantivessem constantemente um sentimento de felicidade dentro do parque. Outro exemplo é a Mercedes-benz, que ao desenvolver o Mini Cooper queria atingir as mulheres. E quando olhamos para a frente de um automóvel, usamos os mesmos circuitos neurais que processam rostos. Assim, a Mercedes o fez para parecer um rosto de bebê ou um ursinho de pelúcia, coisas com as quais as mulheres se sentem muito bem. E as mulheres realmente amam aquele carro.

DINHEIRO – Mas quais são os pontos negativos do neuromarketing?
LINDSTROM – Vejo o neuromarketing como uma ferramenta, talvez como um martelo que pode ser usado para o bem ou para o mal. O neuromarketing traz consigo o pontencial para o abuso. Por isso, é preciso estar atento para o seu uso político, por exemplo. Muitas empresas e até mesmo o governo usam o medo e nossas inseguranças para nos manipular. E o medo de perder algo importante ou não sermos bons o suficiente sem aquele determinado produto são coisas que funcionam. Mas eu levo tudo isso muito a sério, afinal também sou um consumidor e um cidadão e a última coisa que quero fazer é ajudar as empresas ou o governo a nos manipular ou a controlar nossas mentes. O público deve estar atento aos truques e táticas das empresas e anunciantes e assim se defender deles.

DINHEIRO – O senhor pode nos contar mais algumas verdades e mentiras que descobriu?
LINDSTROM – Claro. O merchandising, por exemplo, raramente funciona. E as logomarcas têm cada vez menos apelo. Já a publicidade subliminar nos influencia constantemente. O sexo dificilmente ajuda a vender. Por sua vez, os avisos nos cigarros sobre os riscos para a saúde, incentivam os fumantes. Ou que uma simples mudança no formato de um vidro de maionese, por exemplo, tornando-o menos gordinho, pode despertar nosso desejo de comprar aquele produto. De cada 100 propagandas, 92 são sumariamente esquecidas. E ainda que a Ford que gastou US$ 26 milhões patrocinando o American Idol (mais popular programa da TV americana) se tornou odiada por parte dos telespectadores. Para eles, ela apenas interrompia o andamento do programa.

DINHEIRO – Como a crise financeira mundial mudou a maneira como as pessoas compram?
LINDSTROM – Na prática, antes de comprar algum produto as pessoas têm procurado promoções e ofertas, Nos Estados Unidos, durante a crise, foi observado um expressivo aumento no acesso dos sites de comércio online. Num primeiro momento achamos estranho aquilo, mas logo descobrimos que as pessoas estavam pesquisando preços e não efetivamente comprando. Hoje os consumidores são muito mais cautelosos e menos gastadores.

DINHEIRO – Alguma empresa soube tirar proveito dessa mudança de comportamento?
LINDSTROM – A montadora coreana Hyundai, que cresceu nos Estados Unidos mesmo em meio a crise, garantiu aos consumidores que devolveria seu dinheiro dentro de um ano se eles fossem demitidos. E as vendas não só cresceram, como até onde sei, nenhum carro foi devolvido. Além disso, como o futuro muitas vezes é incerto, o passado tem se mostrado muito mais seguro. Por isso, marcas tradicionais associadas ao passado, como a Lego ou Louis Vuitton, se fortaleceram neste período.

Íntegra da entrevista publicada por @brunogalo na Revista ISTOÉ Dinheiro de 18 de agosto de 2010





‘A pirataria é sobretudo uma forma de divulgar o trabalho’, diz Paulo Coelho

17 08 2010

“Cibernético”. É assim que o escritor Fernando Morais, autor da biografia O Mago, sobre Paulo Coelho, o define. Em entrevista por e-mail, o escritor, que já vendeu mais de 100 milhões de exemplares em todo o mundo, comentou o futuro do livro na era digital.

Como você enxerga a relação entre livros e internet?
Digamos que a internet é um meio onde se lê e se escreve, o que fez com que o livro se tornasse, hoje em dia, o que a música era para a minha juventude: o grande referencial de época.

Essa relação é positiva?
Extremamente. Está obrigando as pessoas a desenvolverem uma nova linguagem, fazendo com que leiam mais, já que precisam escrever. E escrevendo mais, tendo alternativas de publicação, etc.

Como a internet pode influenciar a literatura?
De diversas maneiras. Permitindo que se tenha acesso a muitos trabalhos que normalmente ficariam nas gavetas (hoje estão hospedados em servidores, ou seja, uma “gaveta” que qualquer um pode abrir) e democratizando a literatura, permitindo que todos possam expressar, à sua maneira, o que sentem.

Um dia podemos ver o fim do livro de papel?
Depende. Acho que, para a ficção, o livro continuará como a melhor alternativa pelos próximos 50 anos. Para livros técnicos, suportes eletrônicos serão mais usados, sobretudo por causa do peso e da quantidade de informações que pode ser armazenada.

O mercado de livros ainda vai sofrer por causa dessa “pirataria”?
Claro que não. É uma forma de divulgar o trabalho. Com a ajuda dos leitores, criei o site Pirate Coelho, que pode ser acessado do meu blog, http://www.paulocoelhoblog.com. Ali coloco todas as traduções que encontro na internet, facilitando o trabalho de piratear meus livros.

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Leia original aqui

Entrevista publicada por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 11 de agosto de 2008

Crédito da foto: paulo_coelho





“O livro de papel nada mais é do que tinta sobre árvore morta. Chamar isso de tecnologia é um insulto para mim”

7 08 2010

Resposta instantânea com o brasileiro Jean Paul Jacob, pesquisador emérito da IBM, que vai participar do Fórum do Livro Digital que integra a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Quais são as suas previsões para o futuro do livro?
O livro de papel nada mais é do que tinta sobre árvore morta. Adoro ler, mas chamar isso de tecnologia é um insulto para mim. Para começar, acredito que a tecnologia digital possa acabar com as desvantagens do livro tradicional, como portabilidade e tamanho de letras, entre outras coisas.

Mas o livro digital será apenas uma cópia fiel do livro de papel?
No começo, acredito que sim. Mas já há algumas experiências para mudar isso, com o uso de vídeos, games, etc. Quando surgiu a televisão, ela era apenas um rádio com imagens. Com o tempo, houve uma reinvenção da linguagem da tevê. Com o livro vai acontecer a mesma coisa.

E isso seria um livro ainda?
As pessoas mais velhas, inclusive eu, têm um apego sentimental muito grande aos formatos. A maior parte dos jovens não tem ou terá esse apego. O futuro da cultura é digital e sob demanda. Costumamos manter os nomes antigos, mesmo quando as coisas mudam muito, pelo menos por certo tempo, justamente por esse lado emocional.

Leia também aqui.

Entrevista publicada por @brunogalo na revista ISTOÉ Dinheiro de 6 de agosto de 2010