Ter ou não ter? Eis a questão que o digital propõe

30 08 2010

“Você pagaria por algo que não vai ser seu?” é uma das questões mais levantadas pelos críticos da nuvem. Afinal, se os arquivos digitais ainda são mal vistos por aqueles que gostam da mídia física, como os puristas do vinil, muita gente também tem um pé atrás com o streaming e com o arquivamento online.

Ao transformar a cultura em serviço, a nuvem tiraria das pessoas a posse de livros, filmes e músicas — uma situação inédita para os consumidores. Mas não é exatamente isso que acontece quando compramos um ingresso de cinema, alugamos um filme na locadora, pagamos a mensalidade da TV a cabo ou sintonizamos o rádio?
“Eu ficaria triste se a mídia parasse de ser produzida em formatos que eu possa colecionar, como o do DVD, mas acredito que as pessoas não vão ter problemas em aceitar serviços que oferecem bibliotecas gigantes de cultura, às quais elas terão acesso irrestrito. Eu pago todo mês um pacote de canais de TV, por exemplo”, exemplifica o pesquisador norte-americano Henry Jenkins.

Já o estudioso da cultura na nuvem Patrik Wikström acha normal que as pessoas fiquem ressabiadas com a mudança. “Nos acostumamos a pensar que somos donos das mídias que consumimos. Como o computador permite que a gente guarde dados de uma maneira semelhante como fazemos com coleções de CDs ou DVDs, essa lógica foi importada para o download. A princípio, isso foi mais fácil de entender tanto pela indústria quanto pelos consumidores”, afirma.

É necessário um bocado de tempo para mudar o comportamento das pessoas e, ainda mais, o do mercado. Serviços que guardam músicas na internet existem pelo menos desde 2002, quando surgiu a Last.fm. Em um primeiro momento, no entanto, a indústria tentou lutar contra a facilidade que sites assim ofereciam. Até então gratuitos, Last.fm e a rádio online Pandora acabaram sofrendo com a pressão das grandes gravadoras e tiveram que começar a cobrar por conteúdo, perdendo grande parte da sua até então fiel base de ouvintes e quase toda sua relevância.

Para Wikström, as pessoas só aceitarão voltar a usar ferramentas de arquivamento online quando estas garantirem que elas terão “acesso irrestrito ao conteúdo, com baixo custo, a qualquer hora”, como se aqueles bens espalhados na nuvem de fato pertencessem a elas. “Acredito que as coisas estão mudando agora que a indústria percebeu que o modelo do iTunes não é o ideal para combater a pirataria e lucrar com a música digital. Já existem serviços na nuvem, como o próprio Grooveshark, que são bons tanto para o mercado quanto para os clientes”, finaliza.

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Matéria publicada no caderno Link do Estadão de 6 de dezembro de 2009 feita a quatro mãos por: @brunogalo e @rafael_cabral

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Porque a indústria prefere o streaming ao download

30 08 2010

O mercado de cultura na era digital, pós-Napster, vive hoje sua primeira grande transição. Quando viu seu principal negócio – a venda de CDs – ir por água abaixo por causa da cultura do compartilhamento, a indústria musical a recriminou e, só mais tarde, tentou se adaptar: apostou na trava anticópias (DRM) para barrar a pirataria e, com o modelo de vendas avulsas do iTunes, achou que finalmente lucraria com a internet. Não deu certo.

Se a loja de músicas da Apple até teve seus trunfos (sentidos mais nas vendas de iPods do que no balanço das gravadoras), 95% dos downloads de músicas continuam piratas. Ao completar 10 anos, o mercado parece finalmente ter amadurecido e, aos poucos, renasce. Em vez da venda de arquivos, uma adaptação canhestra da lógica da venda de mídias físicas, a aposta agora é na nuvem – em que filmes, livros e músicas cada vez mais deixam de ser encarados como produtos tradicionais, para ser vistos como serviços.

“É uma mudança de pensamento. Se muitos dos sites de streaming de hoje tendem a morrer, outros (Hulu e Spotify, por exemplo) buscam acordos e terão um futuro brilhante pela frente”, aposta o escritor Patrik Wikström, autor do livro “Music In The Clouds” (´A Música Nas Nuvens´, que será lançado em 2010 nos EUA).

Um dos grandes sinais de que a indústria vê futuro nessa migração para a nuvem está no acordo que a EMI assinou com o até então ilegal Grooveshark, que permite que as pessoas disponibilizem e ouçam todas as músicas que quiserem em streaming. Em vez de processar seus donos, a multinacional decidiu se aliar a eles.

O intuito dos empresários, segundo críticos como o ativista da cultura livre Cory Doctorow, é restituir o controle que tinham antes que a distribuição de bens culturais fosse tomada de assalto por consumidores conectados. “Cobrando por algo que você consegue de graça, investidores sonham em voltar ao lucrativo monopólio que detinham antes de ele ser aniquilado pela hiper-competição da web”, escreveu Doctorow, em artigo publicado no jornal inglês “The Guardian”.

A questão é: e se esse controle for vantajoso para os usuários? A locadora Netflix cobra US$ 9 de seus clientes e deixa que eles assistam a quantos filmes aguentarem na web. Já o Grooveshark, com acervo de mais de 6 milhões de músicas, é gratuito, custeado por publicidade e por aqueles que pagam por um serviço mais completo.

“Acredito que o modelo legal do Spotify vai ser o mais bem sucedido de todos os já tentados. Ele oferece opções de navegação aos usuários, além de ser rápido e fácil”, opina o jornalista Greg Kot, que no livro “Ripped: How the Wired Generation Revolutionized Music (Ripped: Como a Geração Conectada Revolucionou a Música”) trata das mudanças comportamentais que a distribuição P2P causou.

Mas, para Kot, o streaming só vingará se oferecer mais vantagens do que os downloads ilegais. Ou seja: deve ser mais completo e acessível que os sites de torrent, cobrando nada ou tão pouco quanto. “As pessoas só migrarão se os sites assegurarem que eles terão acesso àquele conteúdo quando quiserem, como quiserem”. Ou seja, o mercado terá que continuar em constante adaptação ao gosto dos usuários. Mesmo se decidirem naufragar os piratas e devolver parte do poder às gravadoras, os clientes continuam sempre com a razão.

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Depois da música, é a vez dos filmes e livros

30 08 2010

Até pouco tempo atrás, YouTube e Vimeo eram praticamente as únicas boas opções de conteúdo audiovisual na nuvem. No entanto, de um tempo para cá, o mercado norte-americano vem apostando na distribuição online de filmes, séries e programas de televisão.

Uma coalizão de estúdios (NBC, Fox, ABC e outros) criou o Hulu, que oferece gratuitamente toda a programação desse canais. Já a Netflix, a maior locadora dos Estados Unidos, lançou um bem-sucedido pacote ilimitado de filmes por streaming a US$ 9 – já adotado por 20% de seus clientes. Ambas as iniciativas trabalham em aplicativos para iPhone e iPod Touch, entre outros dispositivos móveis, e devem influenciar na transição dos aparelhos para a era da computação em nuvem.

Aqui no Brasil, não há nenhum serviço da dimensão dos citados, mas já dá para assistir a parte da programação da Fox no Mundo Fox e a uma boa quantidade de filmes e seriados pelo Terra TV. A locadora Netmovies também inaugurou o seu aluguel de filmes na web, mas o catálogo ainda é bem fraco.

Já o mercado de livros digitais, até então quase inexplorado e pouco atrativo para os leitores, foi aquecido pelo lançamento de dispositivos específicos para a leitura, como o Kindle, e deve ser bastante expandido como ambicioso projeto de digitalização do Google, o Google Books.

Filmes
Alguns serviços de download e streaming de filmes começam a surgir, ainda de forma modesta. Serviços de download têm dificuldade para decolar devido ao alto preço, ao espaço limitado de disco rígido do usuário para armazenar grandes arquivos e a dificuldade em se assistir aquele filme comprado ou alugado em diferentes dispositivos eletrônicos. Já o streaming, apesar de agradar aos usuários pela facilidade e comodidade, ainda é visto com desconfiança pelos estúdios, que não liberam os lançamentos para serem vistos nesse formato. Eles trabalham em uma solução intermediária.

Livros
É o mais atrasado entre os três. Apenas recentemente, com o surgimento do leitor de livros eletrônicos Kindle, da Amazon, e alguns outros e-readers, começou a fazer algum sentido pensar que, um dia, o livro de papel não será o principal suporte para a literatura. Ainda assim, o Kindle tem muito a evoluir, como, por exemplo, permitir o acesso à internet. Enquanto esse dia não chega, ou quem sabe o tablet da Apple venha a suprir essa oportunidade, a bibliteca da nuvem se restringe a pequenas amostras oferecidas por praticamente todas as editoras, além dos já tradicionais Scribd e Google Books.

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Todos os caminhos levam à nuvem

27 08 2010

Filmes, livros e músicas disponíveis na hora, no lugar e no aparelho em que você quiser

Hoje, basta um computador com acesso à internet para obter (em muitos casos, de maneira ilegal) praticamente qualquer filme, livro ou música que você quiser. Logo, estes produtos culturais estarão – e em muitos casos já estão – a apenas um clique de distância, sem a necessidade de baixar nada e disponível na hora, no lugar e no gadget com acesso a web que você preferir. E, o melhor, de forma legal e, não raro, gratuita.

Cortesia da nuvem. Mas afinal o que é a nuvem? O mundo da computação pré-internet foi construído sobre a lógica de que tudo devia estar instalado ou armazenado na máquina de cada pessoa. A nuvem rompe com esse conceito. Cada vez mais, tudo que queremos ou precisamos pode ser acessado diretamente pelo navegador de internet. A maior oferta e acesso à banda larga, inclusive móvel, é essencial para o sucesso dessa visão.

“A cultura já está online. Qualquer mídia pode ser digitalizada com vantagens econômicas para a indústria. O que estamos começando a ver agora, é a internet se tornando o principal suporte para termos acesso a cultura e entretenimento”, observa o estudioso norte-americano Nicholas Carr, autor de A Grande Mudança (Editora Landscape), em que defende que a computação em nuvem está mudando a sociedade de forma tão profunda quanto à energia elétrica nos últimos cem anos.

Antes, no entanto, é preciso entender a evolução que permitiu chegarmos aqui. O culto despertado pelo iPod consagrou, na música, o dispositivo pelo qual se acessa o conteúdo, tornando possível hoje, entre outros motivos, a ascensão da música na nuvem. Se desde a virada do século ninguém dava mais muita bola para o desgastado CD, todos queriam ter o seu tocador de MP3, de preferência o iPod. Por sua vez, o sucesso do aparelho, no seu conceito original, só foi possível porque antes a prática de copiar CDs e compartilhar música na rede, simbolizada pela explosão do Napster, havia se disseminado.

O público estava, portanto, sedento por um dispositivo bacana em que pudesse colocar as suas músicas e levá-las consigo para onde quiser. O iPod, por sua vez, tirou vantagem também, do surgimento mais de vinte anos antes do Walkman que levou a música para ser trilha sonora inseparável de milhões – hoje, bilhões – de pessoas em todo o mundo. Na verdade, o que se viu durante toda a história da música como produto – iniciada com o fonógrafo – pode ser resumida como uma busca por ser cada vez mais acessível e disseminada.

Voltando no tempo, depois do fonógrafo levar a música para além das apresentações ao vivo, o rádio espalhou-a por novos ambientes e momentos do dia a dia das pessoas. Além disso, foi ele que introduziu o acesso gratuito as canções. Enquanto, a música transcendeu a barreira do suporte há muito tempo, os livros apenas agora começam a se libertar do papel. Por sua vez, os filmes estão no meio do caminho entre uma coisa e outra. Eis a explicação do motivo da oferta de conteúdo musical por streaming, ou seja, na nuvem, ser tão mais variada.

Os efeitos dessa mudança já podem ser observados como de costume entre a fatia do público mais ávida por música. Tanto nos Estados Unidos, como no Reino Unidos, duas diferentes pesquisas chegaram a mesma conclusão. O consumo de música em sites de streaming aumenta, principalmente entre os mais jovens, ao mesmo tempo, que o uso regular de sites de compartilhamento de músicas cai.

Uma outra clara evidência de que a nuvem veio mesmo para ficar está nos estúdios de cinema. Apesar de viveram as turras com serviços de streaming de filmes, como o Netflix, todos os grandes estúdios de cinema trabalham em serviços baseados na nuvem. A Disney (da qual Steve Jobs, o lendário fundador e CEO da Apple, é o maior acionista individual), por exemplo, desenvolve o Keychest, tecnologia que permitira ao público pagar um preço único pelo acesso permanente a um filme em diferentes plataformas ou aparelhos com acesso a internet, como computador, vídeo game, celulares, etc. Na literatura, as coisas ainda engatinham em menor velocidade.

“Spotify, Hulu, Google Books, etc. são todos bons exemplos, mas nenhum deles é completo o suficiente. Alguém (adivinhe quem?) precisa se dedicar e juntar tudo isso sob um grande guarda-chuva, com uma única interface e um único lugar em que as pessoas possam administrar todo o seu conteúdo, sejam livros, filmes, músicas, etc. Atualmente  isto é tudo muito fragmentado e essas empresas estão trabalhando em produtos isolados”, afirmou ao Link Steve Jobs, dono da Apple. Quer dizer, o Fake Steve Jobs, personagem criado pelo jornalista norte-americano especializado em mídia e tecnologia Dan Lyons.

É, ele também parece saber muito bem o que diz. Não por acaso, durante um bom tempo houve quem achasse até no Vale do Silício que o Fake (falso, em inglês) era uma brincadeira do original. E o verdadeiro Jobs, o que será que está tramando? Uma pista foi dada no final de semana passado quando a Apple revelou a compra do serviço de streaming de música Lala. Não dúvide: todos os caminhos levam à nuvem.

MÍDIA FÍSICA
Sempre haverá mercado para a mídia física, nem que seja para colecionar. Prova disso é o revival do vinil nos últimos anos. Ainda há muita gente que prefere o suporte físico a uma cópia digital. E não será o streaming e a nuvem a pôr fim nisso. Ao menos, não por enquanto.

DOWNLOAD
Apesar da facilidade do streaming, nada leva a crer que o download acabará de uma hora pra outra. Até porque quase tudo que está na nuvem por ser baixado. E o download, de alguma forma, da às pessoas a sensação de “posse” sobre o produto.

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Editores temem disseminação da pirataria na web

17 08 2010

“O grande ponto negativo da internet, no que diz respeito aos livros, é a possibilidade de que pessoas utilizem a rede para praticar a pirataria, violando direitos autorais e desestimulando a criação intelectual e artística.” A afirmação do diretor-geral da editora Objetiva, Roberto Feith, resume a opinião do setor sobre a disponibilização de obras não autorizadas na rede mundial de computadores.

Em contrapartida, o presidente do projeto Creative Commons no Brasil e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ronaldo Lemos, aponta que “a pirataria é um termo que foi apropriado pela indústria do conteúdo, utilizado especialmente como forma de conseguir mais proteção sobre o seu modelo de negócios”.

Quem nos exemplifica essa outra posição é o escritor inglês Matt Mason, autor de ‘The Pirate’s Dilemma: How Youth Culture Reinvented Capitalism’ (o dilema dos piratas: como a cultura jovem reinventou o capitalismo). “Quando surgiu o fonógrafo, os músicos, que ganhavam dinheiro tocando ao vivo, o viram como uma espécie de pirataria”, afirma. “Eles achavam que perderiam o seu ganha-pão com essa nova tecnologia.”

O tempo mostrou que eles estavam errados. Quase 141 anos depois da invenção do fonógrafo por Thomas Edison, a venda de música gravada é de grande importância para as gravadoras, assim como as apresentações ao vivo para os cantores. O livro de Matt Mason, publicado pela Penguin, está disponível para download gratuito no site thepiratesdilemma.com.

Mas é possível então concorrer com a “pirataria”? “A única maneira de combatê-la é fazer um bom produto com um preço justo”, afirma o francês Patrick Osinski, diretor geral da Plugme, selo de audiobooks, que cita como um exemplo bem-sucedido a loja virtual da Apple, a iTunes Store.

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Matéria publicada por @brunogalo no caderno Link do Estadão de 11 de agosto de 2008





Editoras brasileiras vão oferecer mais audiolivros

17 08 2010

Ainda há poucos títulos e somente para venda, mas download pago deve ser disponibilizado em breve; ‘Ou você gosta ou odeia’, diz editor, sobre livros falados

Quem não se lembra? Você, ainda criança, deitado na cama, esperando ansiosamente a história que lhe seria lida naquela noite. Pois é, esse hábito, restrito aos pequenos, tem tudo para chegar aos mais velhos, graças a uma forcinha da tecnologia.

É que, com a proliferação dos tocadores de MP3, como o iPod, algumas editoras nacionais se animaram e decidiram investir nos audiobooks, já tradicionais nos EUA, de olho no vasto mercado potencial.

No Brasil, ao menos um autor é grande fã do formato. Laurentino Gomes, de 1808, ouve audiobooks em seu iPod há mais de cinco anos. Ele assina um plano da Audible (www.audible.com), empresa americana que é a maior distribuidora de “livros para ouvir” no mundo, com mais de 80 mil opções. Pagando US$ 20 por mês, ele tem direito a baixar dois livros.

“Já ouvi mais de cem tranqüilamente. Adoro livros em áudio”, conta Laurentino, que costuma ouvi-los durante os passeios matutinos com o cão da família, que estava doente no dia da foto da capa desta edição.

Nos EUA, os audiobooks movimentaram quase US$ 1 bilhão em 2006. O valor sem dúvida chama atenção, mas, em termos do mercado livreiro americano como um todo, que arrecadou pouco mais de US$ 37 bilhões em 2007, é bem menos impressionante.

De qualquer forma 2008 deve ser o ano da virada do audiobook nos EUA. É que no começo do ano a Audible foi comprada pela Amazon, pela bagatela de US$ 300 milhões. Analistas apontaram na época da compra que a aquisição seria uma forma de tentar turbinar as vendas do Kindle, que além de ler e-books, também roda audiobooks. Dessa forma, eles esperam ampliar o número de downloads de audiobooks que em 2006 representavam apenas 14% do total do mercado.

Enquanto isso, o Brasil ainda engatinha no assunto. A editora Audiolivros (www.audiolivro.com.br), lançada em 2006, é pioneira no País. O Caçador de Pipas, O Monge e o Executivo e 1808, são alguns dos títulos oferecidos pela editora. Atualmente ela não trabalha com downloads de livros, mas promete para o final do ano o começo do serviço. “Estamos trabalhando para oferecer todos os títulos por um preço de R$ 9,90”, conta Marco Giroto, dono da editora.

Já a Plugme (www.plugme.com.br), que será lançada pela Ediouro durante a Bienal, promete uma lista de best-sellers, narrados pelos próprios autores ou por nomes famosos, como José Wilker e Paulo Betti. Entre os autores que narraram o próprio livro o destaque fica para Nelson Motta que, em alguns momentos, imita o cantor Tim Maia, personagem do seu livro, Vale Tudo. Ficou curioso? Ligue para 4003-7272, fale Vale Tudo, após ser perguntado pela atendente eletrônica e pronto: você ouvirá um trecho bastante divertido em que Motta imita Tim.

Já os autores se dividem quanto à novidade. “Parece-me uma coisa natural. Afinal as pessoas perdem com o tempo esse hábito de ouvir histórias, que eu acho muito legal”, fala o escritor Paulo Lins. Já o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro revelou opinião completamente divergente sobre o tema. “Acho um horror. Para mim é o leitor que dá cara ao livro. Essa é a grande graça da literatura.”

Para Patrick Osinski, diretor-geral da Plugme, o formato não aceita meio termos. “Ou você gosta ou odeia.”

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Kindle, da Amazon, inova, mas é barrado a não-americanos

17 08 2010

“As pessoas estão à espera de um ‘iPod para livros’”, diz o diretor executivo da editora Nova Fronteira, Mauro Palermo. “O iPod criou uma ruptura no mercado da música que ainda não aconteceu com os livros.” E o Kindle, da Amazon? “Ele é o walkman dos livros”, brinca.

“O livro do futuro tentará simular o livro como nós o conhecemos e amamos. Nem que seja só para acomodar obsoletos como eu”, disse Luis Fernando Verissimo.

Além de possuir uma tela fosca, que não emite luz e busca reproduzir uma folha de papel – muito diferente da de um laptop –, o Kindle é alimentado pelo vasto acervo da pioneira loja online Amazon, com mais de 145 mil títulos digitais (em inglês).

O aparelhinho, que custa US$ 359, pode guardar até 200 e-books ou audiolivros (o Kindle também permite ouvir as obras).

Mas, além da barreira do idioma, um dos problemas para a disseminação do aparelhinho pelo mundo é que a Amazon comercializa o Kindle apenas em seu site (http://tinyurl.com/thekindle) e para moradores dos EUA (é preciso ter um endereço no país).

Na hora de comprar os livros digitais, pessoas que não moram nos EUA voltam a enfrentar dificuldades. A publisher da “PC World”, Silvia Bassi, que comprou o seu durante uma viagem aos EUA, usa uma artimanha para alimentá-lo.

Ela compra um “gift card” (vale-presente) e presenteia a si mesma. Depois, usa esse crédito para comprar os livros. “A idéia é genial, e a tela é fantástica”, garante.

Especula-se que, em nove meses, 240 mil unidades tenham sido vendidas, embora a Amazon não divulgue números.

Para quem acha que o Kindle ainda não é tudo isso e aguarda o tal “iPod para livros”, uma notícia. No começo do ano, Steve Jobs disse, ao falar sobre o Kindle, que ele nasceu morto, já que, segundo o fundador da Apple, os americanos abandonaram a leitura.

Tratando-se do Sr. Apple, isso pode querer dizer duas coisas: 1) ele acredita no está falando e ponto final ou 2) ele está preparando um e-book reader matador para concorrer com o Kindle.

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