Quando Michael Jackson ‘salvou’ a indústria da música…

15 11 2010

…ou se hoje o ‘inimigo’ é a internet, ontem era a fita cassete

Não é segredo para ninguém que nos últimos anos as grandes gravadoras foram obrigadas a reinventar o seu modelo de negócios para sobreviver na era da música digital. E, a internet e as novas tecnologias são frequentemente apontadas como as grandes responsáveis pela – atual – crise. Atual, porque as crises na indústria fonográfica são na verdade uma constante.

No final da década de 70, início dos anos 80, foi a vez de uma outra tecnologia, a fita cassete – acredite –, ser apontada como “culpada” pela retração nas vendas. Em 1981, quando as vendas despencaram 11,4% (e havia rumores de que no ano seguinte a queda seria ainda maior), os grandes selos afirmaram que o seu ponto de vista havia sido, enfim, comprovado.

Mesmo antes, entretanto, a indústria musical já se esforçava para estigmatizar a prática crescente de se gravar músicas em fita cassete. O auge dessas ações se deu com uma vasta campanha de publicidade que incluía o uso de uma caveira em forma de fita cassete e a frase: “A gravação caseira está matando a música. E isto é ilegal”. Leia mais sobre essa campanha aqui e veja paródias aqui eaqui.

Como um estudo da Cap Gemini Ernst & Young, de 2003, afirmou, “em vez de tirar proveito dessa tecnologia nova e popular, as gravadoras lutaram contra ela”. Quer dizer, se hoje o “inimigo” é a internet, na época era a fita cassete. Entretanto, para muitos analistas a queda nas vendas era em grande parte resultado da estagnação criativa dos principais selos.

Disco mais vendido da história
Foi em meio a esse período de crise que, em novembro de 1982, Michael Jackson lançou seu álbum “Thriller”, que se tornou um sucesso instantâneo e até hoje desfruta do título de disco mais vendido da história, com cerca de 100 milhões de cópias. O principal segredo de Jackson para driblar a crise estava em uma nova ferramenta de divulgação que então emergia com a recém nascida MTV e que ele soube usar como ninguém, o videoclipe.

Billie Jean, primeiro vídeo de um artista negro a ser regularmente exibido na MTV

O álbum “Thriller” é considerado o primeiro que usou de forma consciente essa nova mídia de promoção. Na verdade, Michael transformou os videoclipes, que antes eram vídeos meio toscos, em superproduções feitas por diretores famosos. Para (re)ver outros clipes do rei do pop acesse a sua página oficial no YouTube aqui.

Graças à repercussão dos vídeos de Michael, a MTV que era uma pequena emissora de televisão a cabo se tornou muito popular. E, por sua vez, o sucesso da MTV foi fundamental para que a indústria fonográfica tivesse uma retomada recorde nos anos que se seguiram. Assim, o argumento da indústria rapidamente se esvaziou e o congresso norte-americano não chegou a aprovar qualquer restrição do uso das fitas cassete.

Logo, não demorou até que boa parte dos artistas copiasse Jackson e também fizessem clipes mais elaborados. Até hoje, os videoclipes são uma das principais ferramentas de divulgação de um artista de uma grande gravadora. Não por acaso, entre vídeos engraçadinhos e Susan Boyle, os clipes de artistas populares, como Rihanna, Lady Gaga, Britney Spears, aparecem frequentemente entre os vídeos mais vistos do YouTube.

Leia também
A importância de Michael Jackson para a indústria… do cinema

Leia original aqui.

Post publicado no blog do Link do Estadão em 2 de julho de 2009 por brunogalo





Computador não é o limite: YouTube quer TV e celular

30 08 2010

Cofundador do site que se tornou sinônimo de vídeos online, Chad Hurley veio ao Brasil na semana passada e afirma, categórico: “A internet vai matar a TV”

Quinta-feira, 27, no escritório do Google, em São Paulo, Chad Hurley, de 32 anos, co-fundador do YouTube, tem 30 minutos cronometrados para conversar com o Link. No País pela primeira vez, ele disse que veio para “estreitar os laços com o importante mercado brasileiro”.

Sentado no canto de uma sala de reunião, se reclina na cadeira enquanto mexe em um surrado iPhone. Curioso. Afinal, ele é funcionário do Google desde outubro de 2006, quando o gigante da busca pagou US$ 1,65 bilhão pelo então emergente site de compartilhamento de vídeos – e apenas um ano e meio após sua criação. E a companhia, em que trabalha (ele segue como principal executivo do YouTube), desenvolve um sistema operacional já disponível em alguns celulares, o Android. Logo, ele põe o aparelho sobre a imensa mesa que ocupa quase todo o espaço, com sua tela sensível ao toque virada para baixo.

Quer dizer, então, que ele prefere o celular da concorrência? Antes de chegarmos a este ponto, ele começa a falar sobre seus planos para melhorar sua posição no mercado de vídeo online. O YouTube é hoje praticamente sinônimo deste mercado e detém cerca de 70% do segmento, mas ainda não é um negócio rentável.

É difícil acreditar que o YouTube tenha só pouco mais de quatro anos. Nesse período, ele mudou por completo a forma como consumimos vídeo na internet, a ponto de ser difícil lembrar como era antes dele.

Mais importante: deixou de ser conhecido apenas pelos seus vídeos engraçadinhos e se tornou uma – senão a mais – poderosa ferramenta de divulgação e promoção no crescente mercado digital.

“A internet matará a televisão, não o YouTube”. A frase de efeito foi dita no dia anterior, em sua palestra na conferência Digital Age 2.0, que foi realizada em São Paulo na semana passada. “Nos próximos anos, quando todas as TVs estiverem ligadas à internet, a ideia de assistir a um programa no horário determinado pela emissora estará morta”, profetizou antes de dizer que a mídia TV só serviria para veicular eventos ao vivo.

Existe, entretanto, ao menos, um grande problema na trajetória meteórica de sucesso do YouTube. O site, que em sua origem chegou a ser comparado ao Napster, pioneiro na distribuição de conteúdo pela web (no caso, música), simplesmente não dá dinheiro.

Quando isso vai mudar? “Essa é uma grande questão”, sorri. “Mas há muito exagero no que sai na imprensa. Mesmo com a crise econômica, o último trimestre foi o melhor da nossa história”, diz, sem revelar números, o executivo que aposta em uma mistura entre vídeos amadores cada vez melhores e produções profissionais.

Para tornar o YouTube lucrativo, Hurley, que garante não sofrer qualquer tipo de pressão por parte do Google para reverter essa situação, aposta em diferentes modelos de negócio para diferentes tipos de conteúdo. Isso não quer dizer que o site passará a cobrar dos usuários, mas sim criar melhores formas de espalhar a publicidade, tornando-o mais atraente para os anunciantes, bem como servir como plataforma para a compra de alguns vídeos específicos. Dois dias antes, o YouTube havia anunciado que irá começar a compartilhar uma parte da sua receita de publicidade com os usuários que postarem os vídeos mais populares do site.

A iniciativa faz parte de uma estratégia do site para manter sua relevância a longo prazo. “Tenho orgulho do site que ajudei a construir, mas ainda temos bastante a fazer. A experiência de uso do YouTube é muito aleatória, trabalhamos para envolver mais o público, melhorando a interface com o usuário e oferecer uma experiência completa do site em outras plataformas cruzadas , como o celular e a TV”, afirma.

Perto do final da entrevista, a inevitável pergunta sobre seu celular da Apple. Desconfiado, diz: “O iPhone não é ruim. Já o Android ainda é novo e tem muitos fãs no YouTube”, diz. “Pessoalmente, estou sempre conectado, e o iPhone oferece uma experiência mais completa do que os modelos que possuem o Android.” E é um funcionário do Google que diz isso…

Aplicativos

2005
Geotagging, widget para blogs com vídeos de determinadas tags, vídeos públicos e privados e a função ?embedding? foram algumas das funções implantadas.

2006
O site apresenta a possibilidade de assinar RSS por categorias, melhora a busca, permite a personalização de perfis, cria a vídeo-resposta e a conta Director.

2007
Menus ficaram mais práticos e o espaço para vídeos, maior; além de integrar-se ao Google Maps.

2008
Surge a função de subir vídeos em HD, a ?página de confirmação de idade? antes dos vídeos considerados impróprios, as anotações e as legendas em vídeos.

2009
No ano do 3D, o YouTube não poderia ficar de fora. Agora, os usuários podem gravar e fazer upload de vídeos filmados com essa tecnologia.

Destaques

2005
O site é criado em fevereiro. O primeiro vídeo entra no ar em abril. E o serviço é lançado em novembro. Em um mês atinge marca de 3 milhões de vídeos vistos por dia.

2006
É comprado pelo Google por US$ 1,65 bilhão; site é citado como uma das empresas que consagraram a web 2.0 como a “pessoa do ano”, segundo a revista Time.

2007
Segue crescendo mas ano é morno, na opinião de Chad Hurley. O clipe de “Never Gonna Give You Up”, do cantor Rick Astley, torna-se uma pegadinha popular entre internautas.

2008
Vídeo “Yes We Can” feito com discursos de Barack Obama e protagonizado por várias personalidades torna-se um dos primeiros e marcos online da campanha presidencial do então candidato democrata.

2009
Susan Boyle torna-se uma celebridade mundial após ter sua participação em um programa de calouros inglês colocada no site. Uso político do site continua com um enxurrada de vídeos sobre a eleição no Irã.

Foto de Joi no Flickr.

Leia original aqui.

Perfil publicado no caderno do Link do Estadão em 31 de agosto de 2009 por@brunogalo